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Amazonas

Wilson Lima pede novo empréstimo de R$ 1,5 bilhão e pode chegar a R$ 8 bilhões em dívidas em um ano

Governador do Amazonas solicita crédito com garantia da União sem especificar obras ou localidades

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Reprodução

O governador Wilson Lima (União Brasil) enviou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na segunda-feira (17), pedido de autorização para contrair mais R$ 1,5 bilhão em empréstimos, com garantia da União. Se aprovado, o valor elevará para R$ 8 bilhões o total de operações de crédito contratadas pelo governo Wilson Lima no período de um único ano.

O novo pedido, formalizado pela Mensagem Governamental nº 136/2025, está vinculado ao Programa Estadual de Habitação, Infraestrutura, Saneamento e Capitalização do Fundo Garantidor de PPP (PROHABISCAP). O documento solicita urgência na tramitação, mas não especifica quais obras serão realizadas, em quais bairros ou municípios.

Críticas à falta de transparência

Durante sessão plenária, na terça-feira (18), o deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) criticou a ausência de detalhamento no projeto: “Só não diz aqui o que que vai ser feito na habitação, no saneamento. Ora, se um empréstimo vem pra cá dizendo que nós vamos sanear bairro Jorge Teixeira, beleza. Que nós vamos melhorar o saneamento de comunidades ribeirinhas, ok […] Ninguém consegue ir numa instituição financeira com três folhas de papel e arrancar R$ 1,5 bilhão sem dizer o que vai fazer com o dinheiro”.

Destino dos recursos

De acordo com o documento, os recursos poderão ser destinados a:

  • Fundo Estadual de Habitação (FEH);

  • Fundo Especial da Região Metropolitana de Manaus (FERMM);

  • Amortização da dívida pública;

  • Outros fundos estaduais.

O texto menciona genericamente possíveis efeitos como geração de empregos e melhoria da infraestrutura, mas não lista obras específicas nem localidades beneficiadas.

Antecedentes de endividamento

Em janeiro de 2025, Wilson Lima já havia sancionado leis autorizando empréstimos de R$ 6,5 bilhões. Esses projetos foram aprovados em regime de urgência em apenas uma semana, sem discussões aprofundadas na Aleam.

O governo justifica as operações de crédito como necessárias para investimentos em áreas essenciais, mas a repetição de pedidos milionários sem o devido detalhamento tem gerado questionamentos sobre a transparência e o planejamento fiscal da gestão Wilson Lima.

O caso chega em um momento delicado para as finanças estaduais, poucos meses após a revelação de que o fundo de previdência dos servidores (Amazonprev), também sob responsabilidade do governador Wilson Lima, aplicou R$ 50 milhões no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central por graves problemas financeiros, cujo dono, Daniel Vorcaro, foi preso ao tentar fugir do país.