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Política

Diretores da PF colocam cargos à disposição em apoio a Andrei Rodrigues e repudiam “tentativa de usurpação de funções”

Nota dos dirigentes da corporação foi divulgada horas após o afastamento do diretor-geral e do chefe de Inteligência por decisão do ministro André Mendonça

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Arte: Canal92am

Diretores da Polícia Federal divulgaram nesta terça-feira (8) uma nota em que colocam os próprios cargos à disposição e declaram apoio a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O afastamento também atingiu o delegado Leandro Almada, que ocupava o cargo de diretor de Inteligência Policial da corporação.

No documento, os diretores afirmam que “repudiam toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana” e que as acusações, “desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas”. Os dirigentes também colocaram seus cargos à disposição do diretor-geral substituto.

A nota defende a atuação de Andrei Rodrigues, classificada como “técnica, isenta e responsável”, e afirma que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”.

Os diretores também afirmam que, cumprindo seu dever de defender a instituição de ataques e tentativas de usurpação de funções, tornam público seu apoio aos diretores.

Afastamento e divergências no STF

Andrei Rodrigues foi afastado por decisão de André Mendonça no âmbito de uma disputa entre o ministro e seu colega Alexandre de Moraes. Mendonça determinou o afastamento depois de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da PF para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução das relatorias do Banco Master e das fraudes no INSS.

Segundo Mendonça, os relatórios revelam um “monitoramento sistemático e ilegal” sobre sua atuação e a de outras autoridades. A Segunda Turma do STF formou maioria para manter Andrei afastado da direção da PF, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Gilmar Mendes, o que adia a proclamação do resultado colegiado.

Reações internas na PF

Entre os superintendentes regionais da PF, as reações ao afastamento são divididas. Uma parcela defende “serenidade” neste momento, sem reação imediata, enquanto outra parte dos chefes regionais defende a saída dos cargos em resposta à decisão de Mendonça. Um superintendente ouvido pela CNN afirmou que a PF precisa de serenidade e que é preciso aguardar os próximos passos.

A nota dos diretores, no entanto, sinaliza um movimento de resistência dentro da corporação à decisão do ministro do STF. O documento foi divulgado horas após o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, e a expectativa é de que a crise interna na PF se aprofunde nos próximos dias. O caso segue em análise no STF.