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Manaus

Polícia confirma autenticidade de mensagens em que médica admite erro ao prescrever adrenalina em Benício Xavier

Em conversas, Juliana Brasil Santos diz “pelo amor de Deus, eu errei a prescrição”; acareação com técnica de enfermagem está marcada para quinta-feira (4)

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Reprodução

A Polícia Civil do Amazonas confirmou, nesta segunda-feira (1º), a autenticidade de mensagens atribuídas à médica Juliana Brasil Santos nas quais ela admite ter errado ao prescrever adrenalina para Benício Xavier, de 6 anos. Nas conversas, que circulam nas redes sociais, a médica pede urgência a um colega durante o atendimento que terminou com a morte da criança.

Em um trecho, ela escreve: “Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição. Me ajuda”. Em outro, envia uma foto do monitor cardíaco e diz estar em “desespero”, pedindo ainda um código para solicitar leito de UTI. As mensagens foram confirmadas pelo médico Enryko Garcia de Carvalho Queiroz, que prestou depoimento à polícia.

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Reconhecimento formal do erro

Em documento interno do hospital ao qual a reportagem teve acesso, Juliana Brasil Santos reconheceu formalmente que errou ao prescrever adrenalina para Benício. Ela afirmou ter informado à mãe que a medicação deveria ser administrada por via oral e disse ter se surpreendido com o fato de a equipe de enfermagem não questionar a prescrição registrada.

Outro relatório, da UTI Pediátrica, confirma que Benício chegou ao setor após a “administração errônea de adrenalina na veia”, apresentando taquicardia, palidez e dificuldade respiratória, além de quadro de “infecção por drogas que afetam o sistema nervoso”.

Acareação marcada

O delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), informou que uma acareação entre a médica e a técnica de enfermagem Raiza Bentes está marcada para esta quinta-feira (4), com o objetivo de esclarecer contradições entre os depoimentos. A polícia defende a tese de homicídio doloso qualificado pela crueldade, mas o Tribunal de Justiça do Amazonas concedeu habeas corpus preventivo à médica, impedindo sua prisão durante as investigações.

Sequência do atendimento

Benício foi levado ao Hospital Santa Júlia, no dia 22 de novembro, com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo os pais, a médica prescreveu três doses de adrenalina intravenosa (3 ml a cada 30 minutos). A família questionou a técnica de enfermagem, que respondeu nunca ter aplicado adrenalina na veia, mas que seguiria a prescrição.

Após a primeira aplicação, o menino piorou rapidamente, ficando pálido, com membros arroxeados e relatando que “o coração estava queimando”. Sua oxigenação caiu para 75%. Internado na UTI e intubado por volta das 23h, Benício sofreu seis paradas cardíacas consecutivas e morreu às 2h55 do dia 23.

O Hospital Santa Júlia afastou a médica e a técnica de enfermagem envolvidas. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Amazonas.