Polícia
Vídeo mostra resgate de técnico de enfermagem enquanto ocupantes de lancha apenas observam; família denuncia omissão
Ruan Silveira Ferreira, de 31 anos, morreu afogado na Praia da Lua no último sábado (11); grupo que estava com ele teria permanecido na embarcação sem prestar socorro.
Reprodução
A morte do técnico de enfermagem Ruan Silveira Ferreira, de 31 anos, ganhou novos contornos após a divulgação de um vídeo que mostra o resgate do corpo no Rio Negro, na Praia da Lua, balneário localizado a cerca de 23 quilômetros de Manaus. As imagens, que circulam nas redes sociais desde o último sábado (11), geraram indignação ao mostrar ocupantes de uma lancha apenas observando a cena enquanto banhistas realizavam o resgate.
Ruan participou de uma festa durante a madrugada e, horas depois, seguiu para um passeio de lancha com um grupo de pessoas que conheceu no evento. Por volta das 8h da manhã, ele enviou uma mensagem à mãe informando que estava bem e que retornaria para casa em breve. Cerca de uma hora depois, a irmã tentou contato, mas o telefone já estava desligado. Em seguida, a família recebeu a informação de que Ruan havia sofrido um afogamento.
Segundo relatos prestados à Polícia Militar, o técnico de enfermagem apresentava sinais de embriaguez quando entrou no rio para mergulhar e acabou desaparecendo. O corpo foi localizado por banhistas aproximadamente 30 minutos depois. No vídeo, enquanto o corpo ainda está na água, os ocupantes da lancha aparecem apenas observando a situação.
Ver essa foto no Instagram
Família cobra investigação
O tio da vítima, André Felipe, afirmou que a família quer saber toda a sequência dos acontecimentos: desde a saída do camarote onde Ruan estava até o deslocamento para a lancha e o que ocorreu antes do afogamento. “Ele não foi sozinho para lá, ele não chegou até dentro daquela lancha sozinho, sem conhecimento de nada. Ele não entrou ali como um intruso, ele foi convidado”, declarou.
André também denunciou que, mesmo após o desaparecimento de Ruan e depois que ele foi retirado da água sem vida, parte das pessoas que estava na lancha continuou consumindo bebidas alcoólicas e permaneceu na praia como se nada tivesse acontecido. “Quando chegamos, vimos pessoas festejando. Só mudaram de comportamento quando perceberam a chegada da polícia e dos familiares”, afirmou.
Versões contraditórias
A família também questiona as diferentes versões apresentadas pelos envolvidos. Enquanto algumas pessoas disseram à polícia que conheceram Ruan apenas naquela madrugada, outras afirmavam já ter amizade com o técnico. O tio defendeu a análise de imagens das câmeras da Marina para identificar como o jovem chegou ao local e quem o acompanhava.
Investigação em curso
O caso é investigado pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). A Polícia Civil apura a dinâmica do afogamento, o passeio de lancha e os depoimentos das pessoas que estavam com o técnico. Até o momento, não há confirmação sobre a existência de crime relacionado à conduta dos presentes.
Ruan atuava como técnico de enfermagem intensivista adulto e também era estudante de Ciências Biológicas no Instituto Federal do Amazonas (Ifam). O Complexo Hospitalar Sul lamentou a perda do profissional em nota. O corpo foi sepultado no domingo (12), no cemitério Nossa Senhora Aparecida, na zona Oeste de Manaus.


Faça um comentário