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Amazonas

Operação da PF no Rio Madeira causa medo, provoca pânico e gera debates entre deputados na Aleam

Operação contra garimpo ilegal deixa rastro de medo, destruição e fome em cidades ribeirinhas. Moradores relatam cenas de guerra e deputados acusam truculência policial.

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Montagem/ Canal92am

Aa ações recentes da Polícia Federal (PF) contra a extração irregular de ouro no Rio Madeira deflagraram uma situação crítica em municípios da região sul do Amazonas. Habitantes de Humaitá, Borba, Barreirinha e Novo Aripuanã enfrentam medo, danos ambientais e interrupção de atividades cotidianas.

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), deputados estaduais e comunidades locais estão exigindo o fim imediato do uso de explosivos e helicópteros nas ações policiais, que classificam como “excessivamente truculentas” e “desproporcionais”.

Defensoria pede “cessar-fogo” e alerta para “estado de guerra” não declarado

Em um novo pedido de reconsideração ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), a DPE-AM reforçou a solicitação para suspender o uso de bombas em operações no Rio Madeira.

A instituição afirma que mais de 1.500 explosões já foram realizadas, causando risco imediato à população, pois os helicópteros voando baixo e estrondos de detonações têm colocado em pânico moradores de comunidades ribeirinhas; danos materiais, com a destruição de moradias de madeira e interrupção das aulas em escolas locais; impacto ambiental, pela contaminação da água e do ar, morte de peixes e outros animais; e agravamento da miséria, pois as famílias que dependem do garimpo artesanal ficaram sem fonte de renda.

A Defensoria argumentou que a repressão penaliza principalmente garimpeiros artesanais, muitas vezes famílias vulneráveis, enquanto os grandes financiadores da atividade ilegal permanecem impunes. “Exigir provas detalhadas das comunidades é uma ‘prova diabólica’, impossível de ser produzida”, afirmou a DPE-AM, que pede um “cessar-fogo temporário” para permitir diálogo entre União, Estado, municípios e garimpeiros.

Parlamentares criticam truculência e risco à população

Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputados estaduais repudiaram publicamente a operação realizada em Humaitá na última segunda-feira (15), que resultou na destruição de 71 dragas e balsas usadas no garimpo.

O deputado Rozenha (PMB) descreveu a ação como “a mais truculenta, desrespeitosa e desumana dos últimos anos” e questionou: “Helicópteros sobrevoando baixo pareciam uma cena de Vietnã, de Armagedom. Por que tanto desrespeito com os amazonenses?”.

Já o deputado Adjuto Afonso (UB) destacou que a operação ocorreu mesmo com a presença de moradores e embarcações civis no rio: “Havia várias embarcações ao lado. Isso é uma brutalidade que merece repúdio. Haveria outras formas de coibir a extração ilegal”.

O Comandante Dan (Podemos) propôs a criação de uma comissão mista na Aleam para buscar alternativas: “Sob o pretexto de impedir a degradação ambiental, estamos degradando ainda mais ao explodir rios e destruir a natureza”.

Humaitá vive clima de tensão e medo

Um dia após a operação, Humaitá permanece em estado de alerta. Moradores relatam fumaça no ar, por conta das embarcações destruídas e comparam a um cenário descrito como “pós-guerra” por quem vive na região.

Um residente em tratamento contra câncer de pulmão disse: “Não conseguimos dormir. A fumaça, os tiros, o medo… tudo ainda está aqui”.

Outros destacaram o impacto social profundo: “Trabalhamos anos para conseguir o pão de cada dia, e em minutos tudo é destruído. Como manter meus filhos na escola?”, perguntou uma mãe que perdeu sua fonte de renda.

A PF, que atua com apoio da Força Nacional e da Polícia Rodoviária Federal, defende as operações como necessárias para combater crimes ambientais e proteger comunidades indígenas. No entanto, o STJ já negou um pedido para proibir o uso de explosivos.