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Política

Marcelo Ramos acusa Roberto Cidade e titular da SES-AM de mentir sobre pagamento a médicos: “secretário tiktoker”

Ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado afirma ter checado o Portal da Transparência e sustenta que, em dois dias de pagamentos, apenas R$ 11,4 milhões foram para empresas e cooperativas médicas, enquanto R$ 67 milhões teriam ido para duas organizações que administram complexos hospitalares no estado

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Montagem/Canal92am

O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado pelo PT, Marcelo Ramos, acusou o governo do Amazonas, comandado por Roberto Cidade (União Brasil), e o secretário estadual de Saúde, Luís Alberto Saraiva Santos, de mentir à população sobre o pagamento dos médicos da rede estadual. As declarações foram feitas em vídeo publicado nas redes sociais, no qual Ramos diz ter conferido os repasses diretamente no Portal da Transparência do Estado.

“O governador Roberto Cidade e o secretário de Saúde mentem sobre a questão do pagamento dos médicos, e eu vou provar isso nesse vídeo”, afirma Ramos na abertura. Segundo ele, o secretário tem usado as redes sociais para “justificar o injustificável” em vez de enfrentar os problemas crônicos da saúde.

“O secretário de Saúde resolveu se vestir num papel ridículo de tiktoker. Passa o dia inteiro gravando e publicando vídeo, tentando justificar o injustificável e mentindo para a população”, disse.

 

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No centro da controvérsia está a informação, atribuída ao governo, de que cerca de R$ 84 milhões teriam sido destinados ao pagamento de médicos. Em trecho reproduzido por Ramos, o secretário de Saúde afirma que esse valor não foi repassado às OSS: “Eles foram para os contratos específicos com as empresas médicas da Secretaria de Estado de Saúde”, diz o titular da pasta no vídeo.

Ramos contesta ponto a ponto e exibe, no vídeo, prints do Portal da Transparência para embasar os valores. Segundo o levantamento que apresenta, no dia 30 o Estado pagou R$ 49,5 milhões, dos quais apenas R$ 8 milhões teriam ido para cooperativas e empresas médicas. Os outros R$ 41,5 milhões, afirma, foram repassados a uma única OSS (o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano), sendo R$ 24,5 milhões pela gestão do complexo hospitalar da Zona Norte e R$ 17,1 milhões pela gestão do Platão Araújo.

No dia seguinte, ainda de acordo com o parlamentar, foram pagos R$ 28,5 milhões, destinados a outra OSS, a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde, responsável pelo complexo hospitalar da Zona Sul. Desse total, R$ 25,1 milhões teriam ido para a organização e apenas R$ 3,4 milhões para empresas e cooperativas médicas.

Somando os dois dias, Ramos conclui que R$ 11,4 milhões foram destinados a empresas e cooperativas médicas, contra R$ 67 milhões repassados a duas OSS. “A verdade incontestável, extraída do Portal da Transparência, é que, nesses dois dias, vocês pagaram 11,4 milhões para empresas e cooperativas médicas e 67 milhões para duas [OSS]”, declara.

Para sustentar as críticas, além dos prints do portal, o parlamentar reproduz trechos dos vídeos publicados pelo próprio secretário de Saúde nas redes sociais; material que, segundo ele, tenta “justificar o injustificável”. Com base nesses dados, Ramos foi além e classificou o modelo de gestão como parte de “um esquema criminoso para roubar dinheiro da saúde”, caracterização que parte do parlamentar. Ao final, dirigiu-se diretamente ao secretário, a quem disse ter “ótimas referências como médico”, pedindo que ele não “jogue uma carreira bonita no lixo”.

O espaço segue aberto para manifestação da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).