Política
União Brasil anuncia neutralidade e abre mão de apoiar candidato presidencial em 2026
Decisão foi tomada em convenção nacional nesta terça-feira (4); federação com o PP libera diretórios estaduais para apoiarem candidatos conforme interesses regionais
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O União Brasil decidiu, em convenção nacional realizada nesta terça-feira (4), não apoiar oficialmente nenhum dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Com a medida, a legenda libera seus filiados para apoiarem, em âmbito estadual, os presidenciáveis “que melhor se ajustem às articulações regionais e locais”.
A decisão, que já vinha sendo sinalizada pelo presidente da sigla, Antonio Rueda, atende a um movimento mais amplo do Centrão. O PP, que forma com o União Brasil a federação União Progressista, já havia anunciado neutralidade na sexta-feira (31). O Republicanos também seguiu o mesmo caminho nesta terça, e o Podemos deve aderir.
A posição representa um revés para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tentava atrair as siglas do Centrão para sua coligação. A possibilidade de a senadora Tereza Cristina (PP-MS) compor a chapa do pré-candidato do PL foi descartada com a neutralidade do PP.
Alianças estaduais pesaram na decisão
Nos bastidores, o peso das alianças estaduais foi determinante. Em alguns estados, a federação estará ao lado de candidatos da direita; em outros, poderá apoiar aliados do presidente Lula. A necessidade de liberar os diretórios estaduais para fechar acordos locais falou mais alto do que o alinhamento nacional.
Além disso, pesou o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro, que enfrenta um momento de crise interna e o temor de novas acusações envolvendo sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Maturidade política”, diz Rueda
Em nota divulgada após a convenção, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, classificou a decisão como reflexo da “maturidade política” da sigla. “Tenho consciência do peso político que a Federação União Progressista tem nacionalmente e que temos nomes extremamente preparados para todos os cargos”, afirmou.
A federação reúne a maior bancada do Congresso, com 101 deputados e 12 senadores, e compartilha R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é uma das principais lideranças da legenda.
Efeitos no Amazonas
A decisão também repercute no Amazonas, onde o União Brasil tem forte presença. O governador Roberto Cidade (União Brasil) é candidato à reeleição, e a neutralidade nacional libera a sigla para costurar alianças locais sem compromisso com a disputa presidencial. Em 2022, o partido já havia adotado postura semelhante, liberando os filiados no segundo turno entre Jair Bolsonaro e Lula.
A neutralidade agora oficializada representa mais um capítulo na fragmentação do Centrão e no isolamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, que segue sem o apoio formal das principais siglas do bloco.


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