Política
Terceirizados denunciam Governo do AM por demissão em massa via WhatsApp e coação de servidores na Aadesam
Trabalhadores afirmam ter sido surpreendidos por mensagem no fim de semana e obrigados a assinar documentos com datas retroativas
Reprodução
Centenas de servidores terceirizados que prestavam serviços à Secretaria de Estado da Assistência Social e Cidadania (Seas), por meio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental (Aadesam), denunciam uma demissão em massa ocorrida no fim de semana. Os trabalhadores afirmam ter sido comunicados do desligamento por uma simples mensagem de WhatsApp, sem aviso prévio, e denunciam coação para assinar documentos com datas retroativas.
Reunidos na sede da Aadesam, na manhã desta segunda-feira (6), os ex-funcionários cobraram o cumprimento dos acordos trabalhistas e o pagamento de todos os direitos previstos em lei. Em vídeos que circulam nas redes sociais, os trabalhadores demonstram indignação e afirmam que a demissão ocorreu por determinação do governador Roberto Cidade.
“É uma humilhação inaceitável. Centenas de servidores foram descartados sem o menor respeito por uma simples mensagem de WhatsApp. Estamos sendo encurralados e obrigados a assinar as demissões e exames médicos com datas retroativas — uma fraude para tentar limpar a barra da gestão”, relatou um dos trabalhadores, que pediu para não ser identificado.
Revisão administrativa ou perseguição política?
Segundo fontes, as exonerações ocorreram após uma revisão administrativa promovida pelo governador Roberto Cidade. Durante o levantamento, teriam sido identificados diversos contratos de pessoas ligadas politicamente à deputada estadual Alessandra Campelo que, segundo as informações, ocupavam cargos sem exercer efetivamente as funções para as quais foram contratadas.
Nos bastidores, a avaliação é de que a ação teve como objetivo enxugar a estrutura da secretaria e retirar indicações políticas consideradas irregulares. No entanto, os trabalhadores contestam essa versão e afirmam que muitos atuavam há anos na secretaria e foram surpreendidos sem qualquer chance de defesa.
Denúncias anteriores já apontavam que funcionários da Aadesam foram usados como cabos eleitorais durante a campanha de Wilson Lima, em 2022, e ficaram sem receber diárias pelo período em que executaram esses serviços.
Investigação do Ministério Público
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) já investiga possíveis contratações temporárias irregulares com intermediação da Aadesam, o que pode indicar eventual desvio do modelo constitucional de ingresso no serviço público, que exige concurso para funções permanentes. A pasta também apura uma possível “sistemática e reiterada contratação temporária irregular” na Seas.
Os trabalhadores exigem agora a intervenção imediata do Ministério Público para frear o que classificam como um abuso de poder político que joga a dignidade do servidor público no lixo. Eles pedem transparência sobre os critérios adotados para as demissões e reivindicam o pagamento de todas as verbas rescisórias.
O Governo do Estado ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. A deputada Alessandra Campelo também não comentou o episódio até o fechamento desta reportagem.


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