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Manaus

Rodoviários ameaçam paralisar 70% da frota de ônibus em Manaus a partir desta quinta-feira (6)

Categoria exige pagamento de salários e benefícios até o fim desta quarta-feira (5); presidente do STTRM afirmou que cerca de 7 mil trabalhadores podem cruzar os braços

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Reprodução

O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviário de Manaus e Região Metropolitana (STTRM) anunciou, na manhã desta quarta-feira (5), a paralisação de 70% da frota de ônibus da capital a partir das 4h desta quinta-feira (6), caso as empresas não efetuem o pagamento dos salários da categoria até o fim do dia. A decisão foi comunicada após uma reunião em que empresários informaram não ter recursos em caixa para quitar a folha de pagamento.

Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, aproximadamente 7 mil trabalhadores podem ser afetados. “São aproximadamente 7 mil chefes de família que estão sem pão na mesa por causa da irresponsabilidade das empresas”, afirmou. O dirigente também criticou a situação enfrentada pelos rodoviários: “Não é justo você acordar de madrugada, pegar essa lua, esse sol quente, ficar nesse trânsito escaldante, estressante, e chegar no dia do pagamento não ter pagamento”.

Ameaça de nova greve

A possibilidade de uma nova paralisação ocorre pouco mais de duas semanas após a última greve da categoria, encerrada em 22 de julho após o depósito de R$ 18 milhões feito pelo Governo do Amazonas. Na ocasião, Givancir Oliveira já havia alertado que novas paralisações poderiam ocorrer caso os atrasos voltassem a comprometer o pagamento dos trabalhadores.

Além dos salários, a categoria cobra o pagamento da cesta básica, benefício de aproximadamente R$ 1,3 mil. O presidente do sindicato afirmou que a categoria já não aceita mais atrasos: “A categoria não aceita mais um dia, uma hora, um minuto de atraso de pagamento. O recado que eles passam é que criem vergonha na cara, respeitem quem trabalha, respeitem quem produz”.

Empresas e poder público

Segundo Givancir Oliveira, as empresas de transporte coletivo afirmam não ter dinheiro em caixa para realizar o pagamento. O presidente do sindicato também mencionou que informações apresentadas pelo Sinetram apontam uma dívida de quase R$ 90 milhões do Governo do Amazonas com as empresas do setor, das quais cerca de  18 milhões teriam sido quitados recentemente. Apesar disso, Givancir afirmou que a discussão sobre responsabilidade pelos repasses não muda a obrigação das empresas de pagar os funcionários.

“Eles que se resolvam. Não quero saber de quem é a culpa. Eu quero que eles se entendam e garantam o pagamento da categoria. Nós trabalhamos para os empresários. Se a prefeitura ou o Estado estão devendo, esse problema é deles. Nosso papel é defender o trabalhador”.

O que diz o Sinetram

Procurado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) ainda não havia se manifestado sobre a situação até a publicação desta reportagem.

Próximos passos

Caso o pagamento não seja efetuado até o fim desta quarta-feira (5), a paralisação terá início nas primeiras horas da manhã de quinta-feira (6), com a redução de 70% da frota e a manutenção de apenas 30% dos ônibus em circulação, conforme determina a legislação para serviços considerados essenciais. A medida deve afetar milhares de passageiros que dependem do transporte coletivo para se deslocar pela capital.