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Manaus

Renato Junior flagra abandono no SPA Galileia e desmente governador: “Raio-X parado há mais de um mês e sem copo”

Em vistoria surpresa, prefeito encontrou unidade sem equipamento de diagnóstico, falta de água e salários atrasados; criticou Roberto Cidade por tentar transferir responsabilidade da crise para o Samu

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Imagem/Canal92am

O prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), realizou uma vistoria surpresa no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) da Galileia, na noite desta quarta-feira (29), e encontrou um cenário de abandono que escancara a crise na saúde pública estadual. A ação desmentiu as acusações do governador Roberto Cidade (União Brasil), que vinha atribuindo a superlotação das urgências a uma suposta falha na regulação do Samu municipal.

Em vídeo gravado durante a inspeção, Renato Junior mostrou a precariedade da unidade, localizada na zona Norte de Manaus, e criticou duramente a gestão estadual.

“Governador Roberto Cidade, além de não pagar o salário dos trabalhadores, você não respeita a população e vai a público mentir, jogando a culpa no Samu. Eu não vou permitir que você jogue a sua irresponsabilidade nas costas de quem está na rua salvando vidas”, disparou o prefeito.

 

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Raio-X parado há mais de um mês

Durante a vistoria, o prefeito constatou que o aparelho de raio-X da unidade está inoperante há mais de 30 dias. A sala de radiografia, que deveria funcionar 24 horas para diagnóstico de traumas, operava com apenas uma das seis luminárias acesas.

Sem o equipamento, pacientes vítimas de quedas, acidentes de trânsito e outras urgências traumatológicas não conseguem ser atendidos adequadamente no SPA da Galileia, o que sobrecarrega outras unidades da rede.

Falta de água e insumos básicos

Além da paralisação do raio-X, Renato Junior flagrou a falta de itens básicos para o atendimento à população. Pacientes e familiares relataram a ausência de água potável e de copos descartáveis no bebedouro da sala de espera. Médicos e enfermeiros também amargam salários atrasados, segundo relatos colhidos no local.

Efeito cascata e superlotação

A inoperância do raio-X gera um efeito dominó em toda a rede de urgência da capital. Segundo o prefeito, ao tentar regular pacientes acidentados, as equipes do Samu, gerido pela Prefeitura, são informadas da impossibilidade de atendimento no SPA da Galileia. Sem diagnóstico por imagem, os pacientes são desviados para o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na zona Centro-Sul, o que provoca superlotação e sobrecarga nas equipes de plantão.

“Imagina que você se acidentou de moto. O Samu da Prefeitura de Manaus faz a regulação, liga para todos os prédios, os hospitais e SPAs do Governo do Estado. Só que quando liga pra cá, pro SPA do Galileia, não está funcionando o raio-X há mais de um mês. As pessoas são levadas pro 28 de Agosto e lá superlota”, afirmou Renato Junior durante a vistoria.

O prefeito também destacou que a ineficiência do Estado gera um efeito cascata perverso: as macas do município ficam retidas nos corredores estaduais servindo de leitos improvisados, impedindo as ambulâncias de retornarem às ruas para novos socorros.

Críticas ao governador

Renato Junior acusou o governador Roberto Cidade de tentar transferir a responsabilidade da crise para o Samu e para os profissionais de resgate, enquanto as unidades estaduais sofrem com falta de insumos e atraso no pagamento de servidores.

“Saia do gabinete do ar-condicionado e vá para dentro das unidades de saúde. Vá lá ver como está o salário dos trabalhadores, dos médicos, dos enfermeiros e dos maqueiros. Eu não vou permitir que você jogue a sua irresponsabilidade no Samu”, disparou o prefeito.

A ação do prefeito provou que a superlotação na rede de saúde não é falha do socorro municipal, mas sim reflexo direto do descaso e da incapacidade administrativa do Governo do Estado.

Silêncio do Governo

Procurada, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) ainda não se manifestou sobre as denúncias. O governador Roberto Cidade também não comentou as acusações até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.