Política
David Almeida diz que “Wilson Lima e Roberto Cidade são cúmplices” e pede investigação dos R$ 100 milhões da UEA
Pré-candidato ao governo do Amazonas afirma que recursos da universidade estão sendo usados para cobrir rombo de R$ 300 milhões da previdência com o Banco Master. Governador revogou decreto, mas admitiu contingenciamento: verba segue retida.
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O ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante), acusou o governador Roberto Cidade (UB) e o ex-governador Wilson Lima (UB) de serem “cúmplices” de uma suposta manobra que teria retirado R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A denúncia foi feita em vídeo publicado nas redes sociais na última quarta-feira (10).
Após repercussão negativa, o governo estadual recuou e revogou o Decreto nº 54.200, publicado em 22 de maio, que previa o remanejamento dos recursos para a Fundação AmazonPrev. No entanto, a medida teve efeito mais simbólico do que prático: os R$ 100 milhões permanecem contingenciados, ou seja, bloqueados dentro do orçamento, e a universidade continua sem acesso efetivo à verba.
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A denúncia de David Almeida
No vídeo, David Almeida afirmou que o dinheiro da UEA está sendo usado para cobrir um rombo previdenciário de R$ 300 milhões causado por investimentos da AmazonPrev em fundos do Banco Master de Daniel Vorcaro, realizados durante a gestão de Wilson Lima.
“O ex-governador Wilson Lima aplicou de forma indevida e criminosa R$ 300milhões dos aposentados e pensionistas do Amazonas nos fundos do Banco Master. Não bastasse isso, o atual governador, para tentar diminuir o rombo, está tirando 100 milhões da UEA para pagar a conta da previdência”, declarou.
O ex-prefeito também questionou a atuação de Roberto Cidade enquanto presidia a Assembleia Legislativa: “Será que ele não sabia disso? O ex-governador tomava as decisões e o então presidente da Assembleia tinha a obrigação constitucional de fiscalizar. Por isso afirmo que os dois são cúmplices políticos desse processo”.
O rombo da previdência
Documentos do Ministério da Previdência e investigações da Polícia Federal confirmam que a AmazonPrev investiu R$ 50 milhões em Letras Financeiras do Banco Master — títulos de alto risco e baixa liquidez — sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) . A aplicação foi feita em junho de 2024, durante a gestão de Wilson Lima, e quebrou protocolos básicos de segurança, como ausência de análise formal do Comitê de Investimentos e falta de deliberação do Conselho de Administração.
Além dos R$ 50milhões diretamente aportados no Master, a AmazonPrev realizou outros investimentos de risco que, somados, chegam a aproximadamente 390 milhões. O rombo total estimado nos cofres da previdência estadual pode alcançar mais de R$ 300 milhões, segundo investigações em curso.
Em maio de 2025, gestores da AmazonPrev visitaram o Banco Master para uma “diligência” de verificação financeira — menos de seis meses antes da liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro de 2025. Um relatório da reunião registrou que o Master captou mais de R$ 5 bilhões em letras financeiras, valor superior ao detectado pela PF 2,3 bilhões).
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) já impôs derrotas à AmazonPrev, barrando recursos que tentavam reverter condenações anteriores. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) também investiga o caso, e a PF já realizou operações com mandados de busca e apreensão, afastando servidores da fundação.
Governo recua, mas não libera
Diante da pressão, Roberto Cidade anunciou, na quinta-feira (11), a revogação do decreto. “Nós estamos fazendo um simples bloqueio para poder evitar aumento de despesas. No momento que for aumentando a receita, nós vamos desbloquear”, declarou.
O governo justificou a medida com a queda na arrecadação estadual de R$ 695 milhões em 2026, atribuída à desvalorização do dólar, que impacta o ICMS das importações do Polo Industrial de Manaus. O vice-governador Serafim Corrêa afirmou que a perda de arrecadação “não é culpa de ninguém, é uma conjuntura que extrapola a competência do estado”.
No entanto, a revogação teve efeito mais simbólico do que prático. Os R$ 100 milhões continuam contingenciados, deixando a UEA sem acesso efetivo a uma parcela significativa de seu próprio orçamento. A universidade segue em um cenário de insegurança financeira que afeta áreas como assistência estudantil, interiorização do ensino superior e extensão universitária.
Pedido de investigação
David Almeida anunciou que acionará os órgãos de controle para apurar os fatos. “Isso precisa ser passado a limpo. O povo do Amazonas merece saber a verdade. Vamos buscar todas as medidas cabíveis para que os fatos sejam investigados e os responsáveis respondam pelos seus atos”.
O senador Omar Aziz também já havia questionado a medida em Brasília, fazendo um apelo ao TCE, MP-AM e MPF. As investigações sobre os investimentos da AmazonPrev no Banco Master seguem em andamento no STF, na PF e nas instâncias estaduais.


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