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Política

Vereador Rosinaldo Bual é preso em operação do MP-AM por esquema de “rachadinha” na Câmara de Manaus

Parlamentar e chefe de gabinete foram detidos preventivamente; três cofres foram apreendidos com cheques que somam R$ 600 mil e armas

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(Divulgação)

O vereador Rosinaldo Bual (Agir) foi preso, na manhã desta sexta-feira (3), durante operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas que investiga um esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal de Manaus. A chefe de gabinete do parlamentar, Luzia Barbosa, também foi detida e ambos cumpriram prisão preventiva decretada pela Justiça.

A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e dois de prisão em diferentes endereços da capital, incluindo o gabinete do vereador na CMM. Durante as buscas, os agentes encontraram três cofres – um na residência de Bual, outro na casa da mãe e o terceiro em seu sítio.

Recusa em cooperar e valores expressivos

De acordo com o MP-AM, o vereador se recusou a fornecer as senhas dos cofres, que foram recolhidos para perícia. Em um deles, foram encontrados dois cheques que somam mais de R$ 600 mil. Também foram apreendidas duas armas e diversos aparelhos eletrônicos durante a operação.

Esquema de desvio sistemático

As investigações revelaram que mais de 100 pessoas passaram pelo gabinete de Bual desde o início do mandato. Testemunhos e quebra de sigilo bancário demonstraram que funcionários recebiam valores elevados na folha de pagamento, mas eram coagidos a devolver entre 40% e 50% dos salários diretamente para a conta pessoal do vereador, via Pix ou em espécie.

Um detalhe que chamou atenção das autoridades foi a discrepância entre o número de nomeados e a estrutura física do gabinete: enquanto havia entre 40 e 50 assessores registrados, o espaço comportava menos de 10 pessoas, indicando a possível existência de servidores fantasmas.

Antecedentes do caso

As investigações ganharam força após a prisão do afilhado do vereador, Gabriel Ferreira, em setembro, suspeito de furtar R$ 130 mil em espécie de um cofre na casa do parlamentar. Quatro armas de fogo de propriedade de Bual também foram roubadas no mesmo episódio.

A Câmara Municipal de Manaus emitiu nota confirmando a operação do Gaeco nas dependências da casa legislativa e reiterando seu “compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com os órgãos de controle”.

Rosinaldo Bual e sua chefe de gabinete foram encaminhados ao 19º Distrito Integrado de Polícia e permanecem à disposição da Justiça. O Ministério Público realizará coletiva de imprensa ainda nesta sexta-feira para detalhar os desdobramentos da operação.