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Política

Renan Santos culpa eleitor por crise política e dispara contra STF e envolvidos no caso Banco Master“: A culpa é tua”

Candidato do Missão voltou às redes após decisão de Dias Toffoli ser revista e afirmou que escândalo envolvendo Daniel Vorcaro pode interferir na eleição presidencial

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Arte: Canal92am

O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) voltou às redes sociais, nesta quarta-feira (2), com um discurso duro contra o Supremo Tribunal Federal (STF), adversários políticos e o que chamou de tentativa de manter a população “alienada” diante dos desdobramentos do caso Banco Master.

Em vídeo publicado após recuperar o acesso aos seus perfis, Renan afirmou ter ficado “censurado por 24 horas” e disse que, durante esse período, uma crise teria explodido dentro do Supremo.

“Eu fui censurado por 24 horas e nessas 24 horas o Brasil acabou”, declarou.

As contas de Renan no Instagram e no YouTube ficaram indisponíveis no Brasil após decisão do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida ocorreu depois de questionamentos sobre perfis de redes sociais que não haviam sido inicialmente informados pelo candidato no registro eleitoral.

A decisão foi posteriormente revista por Toffoli, permitindo que Renan retomasse a campanha nas redes sociais, além da participação em debates e entrevistas.

Renan fala em “guerra” dentro do Supremo

Ao retornar às plataformas, Renan direcionou boa parte das críticas ao STF.

O candidato afirmou que Alexandre de Moraes e André Mendonça teriam protagonizado um confronto extremamente tenso nos bastidores da Corte e classificou a situação como uma espécie de “guerra civil” dentro do tribunal.

Relatos publicados pela imprensa apontam que Moraes e Mendonça tiveram uma conversa dura e ríspida nos bastidores do Supremo. Uma reportagem chegou a afirmar que a segurança precisou intervir, versão contestada pelas assessorias dos ministros, que disseram ter ocorrido uma conversa em “tom firme”, mas sem gritaria ou intervenção de seguranças.

O confronto político e institucional acontece em meio aos desdobramentos das investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master.

André Mendonça deu prazo para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre relatório da Polícia Federal que contém referências a Alexandre de Moraes. A condução do caso provocou divergências dentro do próprio Supremo, da PGR e da Polícia Federal.

Para Renan Santos, a crise seria consequência direta do avanço das apurações.

“O ministro André Mendonça está tentando trazer luz a esse problema e Alexandre de Moraes e sua turma estão reagindo”, afirmou.

A declaração representa a interpretação política do candidato sobre a disputa interna no STF.

Banco Master vira centro do discurso

Renan também colocou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no centro de sua fala.

O candidato afirmou que o banqueiro teria construído relações capazes de influenciar diferentes setores da política brasileira e chegou a dizer que o “jogo foi todo desenhado” para que Vorcaro pudesse exercer influência sobre as eleições mesmo estando preso.

Até o momento, não há comprovação pública de que Daniel Vorcaro esteja controlando ou tenha capacidade de controlar o processo eleitoral brasileiro.

O caso Master, entretanto, provocou uma das crises mais delicadas dos últimos tempos no Judiciário. Mensagens obtidas pela Polícia Federal levaram nomes de autoridades para o centro das discussões e provocaram questionamentos sobre relações mantidas pelo banqueiro com integrantes das instituições brasileiras.

Renan também fez acusações contra Lula e Flávio Bolsonaro, afirmando que ambos estariam relacionados ao escândalo e que poderiam beneficiar Vorcaro caso chegassem ao poder.

O candidato não apresentou, no vídeo, provas de que Lula ou Flávio tenham acertado qualquer medida para libertar ou beneficiar Daniel Vorcaro no futuro.

Renan cita crescimento de Augusto Cury e ligação com Fictor

Outro alvo do candidato foi Augusto Cury (Avante), que ganhou espaço nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Renan chamou atenção para as relações empresariais de Cury e citou especificamente a Fictor.

A ligação patrimonial existe.

Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026, Augusto Cury informou ser “sócio participante” da Fictor Invest Ltda., participação declarada em R$ 31,5 milhões. O patrimônio total declarado pelo candidato ultrapassa R$ 242 milhões.

O grupo Fictor também esteve diretamente envolvido nas negociações envolvendo o Banco Master.

Em novembro de 2025, a Fictor Holding Financeira, juntamente com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, apresentou uma proposta para adquirir o banco controlado por Daniel Vorcaro, com previsão de aporte de R$ 3 bilhões.

A operação, porém, não foi concluída. Após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Master e Vorcaro ser preso pela Polícia Federal, a Fictor anunciou a suspensão da proposta.

Cury ganhou força rapidamente nas últimas semanas. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) colocou o candidato do Avante com 10% das intenções de voto, atrás de Lula e Flávio Bolsonaro.

“A culpa é tua”, diz candidato aos eleitores

Apesar das críticas ao STF e aos adversários, o trecho mais provocativo da manifestação de Renan foi direcionado aos próprios eleitores.

Segundo ele, parte da responsabilidade pela situação política brasileira seria da população que prefere acompanhar celebridades, apostas e conteúdos de entretenimento enquanto ignora escândalos políticos e financeiros.

“A culpa disso tudo não é do Lula, não é do Xandão, não é do Flávio Bolsonaro. A culpa é toda tua”, afirmou.

Renan citou nomes como Carlinhos Maia, Virginia Fonseca e Vini Jr. ao criticar o que considera uma inversão de prioridades nas redes sociais.

O presidenciável também atacou eleitores que permanecem presos à polarização política.

“Foi você que decidiu falar: ‘eu só vou votar num dos dois e está tudo bem’. Foi você que decidiu não acreditar em algo novo para que o Brasil pudesse se tornar um país diferente”, declarou.

No encerramento, Renan convocou seus seguidores a compartilhar conteúdos políticos, acompanhar notícias e participar mais ativamente do debate eleitoral.

Lula e Flávio Bolsonaro continuam à frente das pesquisas, Augusto Cury registra crescimento e o caso Banco Master amplia a pressão sobre autoridades, candidatos e integrantes do Judiciário.

Ao transformar sua suspensão temporária das redes em parte de seu discurso eleitoral, Renan tenta se apresentar como uma candidatura de enfrentamento ao sistema e usar a crise envolvendo o Banco Master e o STF para reforçar sua principal mensagem de campanha: a necessidade de romper com a atual estrutura política.