Política
“Nem com 81 assinaturas”, diz Alcolumbre sobre impeachment de Moraes
Presidente do Senado descartou colocar em pauta impeachment de ministros do STF. Oposição entrou com pedido para afastar Alexandre de Moraes
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Depois de dias intensos de negociação e pressão a senadores, a oposição ao governo Lula conseguiu, nesta quinta-feira, bater o número mínimo de 41 assinaturas para apresentar um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A última adesão foi do senador Laércio Oliveira (PP-SE), confirmada pela manhã. Logo em seguida, os parlamentares protocolaram o pedido e comemoraram o feito como se fosse uma vitória. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), falou em “momento histórico”.
A iniciativa, no entanto, já nasceu morta. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deixou claro à oposição que não vai pautar o impeachment de um ministro do STF independentemente do número de assinaturas. “Podem ser 20, 40, 80”, disse o presidente do Congresso Nacional. A fala ocorreu em uma reunião de líderes na quarta-feira, antes mesmo de o pedido atingir as 41 assinaturas necessárias.
Aos senadores presentes à reunião, Alcolumbre foi enfático ao dizer que não se trata de números, mas de uma questão jurídica. Também deixou claro que a decisão de pautar ou não o impeachment é do presidente do Senado e de mais ninguém. Ele se comprometeu, no entanto, a analisar novos pedidos de impeachment de ministros com a responsabilidade que o tema exige.
Embora o recado do presidente do Senado tenha se dado ainda na quarta-feira, foi só depois de a oposição protocolar o impeachment que a informação começou a circular nos bastidores da Casa, como uma espécie de lembrete, depois de dois dias de desafio à sua autoridade por parte de senadores bolsonaristas que impediram a realização de sessões no plenário.
Em nota publicada ainda na quarta-feira, Alcolumbre havia se posicionado sobre a postura dos senadores, quando determinou a realização de sessão do plenário no dia seguinte. “Não aceitarei intimidações nem tentativas de constrangimento à Presidência do Senado”, frisou, enfatizando que o Parlamento não seria “refém” de ações que “visem desestabilizar seu funcionamento”.
Nesta quinta-feira, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), negou que haja ganhadores ou perdedores no acordo que selou o reinício dos trabalhos, mas abandonou a postura de cobrança a Alcolumbre, que havia adotado nos dias anteriores.
“Estamos desobstruindo aqui, colocando nossa posição de participar dos debates. A oposição vai participar dos debates que ocorrerão normalmente nas pautas que interessam ao Brasil, e o que nós esperamos é que, a partir de agora, nós possamos, de fato, representando o povo brasileiro, discutir e trabalhar as pautas que interessam a todos, independentemente de questão ideológica ou de quem quer que seja”, pontuou Marinho, ao lado de outros senadores de oposição, como Magno Malta (PL-ES), que se acorrentou no plenário, na quarta, e disse que só deixaria o local “morto”.
*R7


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