Política
“Não vi irregularidade”: Maria do Carmo Seffair minimiza áudios de Flávio Bolsonaro e classifica polêmica como “tempestade eleitoral”
Pré-candidata ao governo do Amazonas saiu em defesa do aliado político e afirmou que sociedade está “acostumada” a ver políticos pedindo patrocínios.
Reprodução
A pré-candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), quebrou o silêncio nesta sexta-feira (15) sobre os áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em vídeo publicado nos stories do Instagram, a empresária saiu em defesa do aliado político e classificou a repercussão do caso como “tempestade provocada por conta de disputa eleitoral”.
“Só agora que consegui parar pra falar dos acontecimentos sobre o áudio amplamente divulgado do Flávio Bolsonaro. Ele já deu as respostas e justificativas dele, e eu até agora não vi nenhuma irregularidade em se pedir patrocínio de um banco para um filme. Coisa que nós já estamos acostumados a ver. Na minha opinião, pode ser só uma tempestade provocada por conta de uma disputa eleitoral, só isso”, afirmou Maria do Carmo.
A postura da pré-candidata amazonense, ao tratar o episódio como “corriqueiro”, chama a atenção sobre os critérios de integridade que ela pretende aplicar em sua própria gestão.
A gravidade do caso que Maria do Carmo ignorou
As investigações sobre o Banco Master já revelaram um esquema de fraudes bilionárias. A Polícia Federal estima que o rombo deixado pela instituição pode chegar a R$ 12 bilhões, com indícios de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção de servidores do Banco Central e até a formação de uma milícia privada para intimidação de jornalistas e adversários .
Os áudios divulgados nesta semana mostram Flávio Bolsonaro pedindo a Vorcaro que “ajudasse” com recursos para a produção de um filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O valor total acordado chegaria a US$ 24 milhões 134 milhões à época — dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados . Em uma das mensagens, o senador chama Vorcaro de “irmão” e demonstra intimidade: “Estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!” .
A cronologia das negativas de Flávio Bolsonaro
O episódio expôs uma série de contradições nas declarações públicas do senador. Na última quarta-feira (13), horas antes da divulgação dos áudios, Flávio foi abordado por um jornalista em Brasília e negou categoricamente qualquer relação com Vorcaro, classificando as informações como “mentira” . Em março, ele afirmava que “vincular o caso Master à direita é narrativa falsa” e circulava com uma camiseta estampando a frase “o Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula” .
Após a revelação, no entanto, Flávio admitiu o pedido de dinheiro e disse que se tratava de “patrocínio privado para um filme privado”, sem oferecer vantagens em troca . O senador também passou a cobrar novamente a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master — demanda que ele mesmo vinha fazendo desde março, quando o caso ainda não o havia atingido diretamente .
A relação com o Amazonas e o silêncio sobre o estado
O ponto que a pré-candidata parece ter esquecido de mencionar é que a instituição citada nas denúncias possui vínculos com recursos públicos que também impactam o Amazonas. O BRB (Banco de Brasília), que mantinha relações com o Banco Master, investiu R$ 12 bilhões na instituição — dinheiro que, em última instância, tem origem em tributos pagos por contribuintes de todo o país, incluindo os amazonenses .
Além disso, as investigações da PF apontam que o esquema de Vorcaro envolvia uma estrutura complexa de desvio de recursos, com empresas de fachada, fundos de investimento artificiais e até supostas fraudes em créditos consignados que afetaram aposentados e pensionistas de todo o Brasil . Ao ignorar a gravidade do caso, Maria do Carmo deixa de lado o rigor que costuma cobrar de seus adversários.
A posição isolada no cenário nacional
A defesa aberta de Maria do Carmo ao senador fluminense contrasta com o movimento observado em parte da classe política nacional. Após a divulgação dos áudios, tanto o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), quanto o pré-candidato Renan Santos (Missão) — ambos do campo da direita — se manifestaram, numa tentativa de capitalizar votos de eleitores que rejeitam Lula mas também se decepcionam com o envolvimento de Flávio Bolsonaro no escândalo .
Aliados do presidente Lula, por sua vez, comemoraram a revelação e avaliam que o caso tem potencial para desgastar a imagem do senador, embora expressem dúvidas sobre o efeito sobre o eleitorado bolsonarista mais fiel .


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