Conecte-se conosco

Política

Melqui Galvão é denunciado por usar celular para ameaçar e chantagear vítimas de dentro da cadeia

Deputada Alessandra Campelo revela que lutador teria feito videochamadas de 20 minutos para coagir testemunhas; celular teria sido entregue por policial

alessandra-campelo-denuncia-melqui-galvão-canal92am

Reprodução

O caso do lutador e professor de jiu-jítsu Melquisedeque Galvão, o “Melqui Galvão”, ganhou contornos ainda mais alarmantes nesta terça-feira (12). Preso desde abril sob suspeita de abusar sexualmente de alunas, Melqui teria tido acesso a um celular dentro da unidade prisional para intimidar e tentar subornar testemunhas e atletas da BJJ College.

A denúncia foi levada à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) pela deputada Alessandra Campêlo (Podemos), que preside a Comissão de Proteção à Mulher. Segundo a parlamentar, a entrada do aparelho no presídio teria contado com a facilitação de um policial.

Chantageando as Vítimas

Durante as videochamadas, que teriam durado mais de 20 minutos, o lutador teria adotado uma postura de coação e suborno. Melqui teria oferecido apoio financeiro e benefícios na academia em troca da alteração de depoimentos.

“Quando ele diz no vídeo que em 30 dias vai sair e que tudo ficará bem, a vítima pensa: ‘e o que vai acontecer comigo depois?’. Isso desencoraja as denúncias”, alertou a deputada Alessandra Campelo.

Pedido de Prisão Preventiva

Diante do risco direto à integridade das vítimas e à instrução do processo, Campêlo solicitou a conversão da prisão de Melqui para preventiva. Os áudios e vídeos que comprovam as ameaças já foram encaminhados ao Ministério Público e às forças de segurança que investigam o caso em São Paulo e no Amazonas.

Relembre o caso

Melqui Galvão foi preso em 27 de abril, em Manaus. Ele é investigado por crimes sexuais contra pelo menos três alunas, incluindo casos que teriam começado quando as vítimas tinham apenas 12 anos.

Uma adolescente de 17 anos relatou ter sido dopada com “medicamento para relaxar” durante uma viagem internacional, acordando com o treinador tocando seu corpo.

Outra ex-aluna afirmou que, aos 14 anos, foi vítima de relação sexual com o treinador. Ele utilizava sua influência para dizer que “já tinha relações com outras alunas”, tentando silenciá-la.

Além de atleta, Melqui é servidor efetivo da Polícia Civil, lotado no setor de capacitação. Ele já foi afastado cautelarmente de suas funções públicas.