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Política

“Me senti ameaçado”: David Almeida acusa Omar Aziz de usar operação policial para tentar inviabilizar sua pré-candidatura

Em coletiva, prefeito de Manaus revela que senador mostrou investigação sigilosa em outubro, no aniversário de Manaus.

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(Reprodução)

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), fez declarações fortes durante a coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (23). Ao abordar a recente Operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil e que resultou na prisão de sua secretária de confiança, Anabela Cardoso Freitas, o chefe do Executivo municipal apontou os holofotes para o senador Omar Aziz (PSD) , acusando-o de usar informações sigilosas como instrumento de chantagem e pressão política.

A revelação: “Ele me mostrou a operação no aniversário de Manaus”

A revelação mais contundente da coletiva tratou do conhecimento prévio sobre a ação policial. O prefeito relatou que a investigação, que veio a público recentemente, já era usada nos bastidores políticos meses antes.

“Vocês sabem quando eu soube dessa operação? No dia 24 de outubro, aniversário de Manaus. Eu soube dessa operação na casa do senador Omar Aziz. Ele me mostrou. E o governador Wilson Lima também sabia”, revelou Almeida.

Conforme o prefeito, esse episódio foi o fator determinante para a retirada do seu apoio à candidatura do senador. Ao ser questionado sobre o distanciamento de Aziz, Almeida foi categórico em relação à tentativa de coerção:

Eu me senti intimidado e me senti ameaçado. Eu não poderia ficar ao lado de alguém que poderia usar algo para tentar me ameaçar.”

Desqualificação da operação

Além das acusações contra o senador, David Almeida desqualificou o mérito da Operação “Erga Omnes”, alegando desvio de finalidade. Embora a investigação tivesse supostamente como alvo o combate ao tráfico de drogas e ao Comando Vermelho, o prefeito destacou a total ausência de resultados ligados ao crime organizado.

“Que operação é essa que não prendeu um traficante? Não apresentou um carro apreendido? Não apresentou um quilo de drogas, não mostrou uma apreensão de dinheiro como todas as outras?”, indagou.

Almeida relatou que o dono da agência de viagens investigada foi submetido a 20 perguntas, das quais 19 eram sobre a vida pessoal e familiar do próprio prefeito, e não sobre facções criminosas.

“Eles não estão interessados em investigar tráfico de droga nenhum. Eles estão tentando é me sujar“, cravou.

Defesa de Anabela: “Acusação não é sentença”

Diferente de lideranças que abandonam aliados ao primeiro sinal de tempestade midiática, Almeida demonstrou lealdade à sua servidora. Mais do que palavras de apoio, o prefeito apresentou cálculos para justificar a movimentação financeira da secretária, que tem sido alvo de vazamentos seletivos.

Segundo Almeida, Anabela é viúva de um ex-deputado e, somando pensão com vencimentos como investigadora da Polícia Civil e servidora municipal, possui uma renda mensal de aproximadamente R$ 70 mil. A movimentação financeira diluída ao longo de cinco anos, de cerca de R$ 1,3 milhão, comprovaria apenas o pagamento de despesas normais e financiamentos familiares.

“É no momento da adversidade que você prova sua lealdade. Acusação não é sentença“, pontuou Almeida, repudiando o que chamou de perseguição a uma mulher trabalhadora.

O contraste de gestões

O ponto alto do pronunciamento foi o choque de realidade proposto entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas. Para ilustrar a tese de que “quem está sujo quer sujar quem está limpo”, o prefeito lembrou que a gestão de Wilson Lima (UB) já foi alvo de impressionantes 11 operações da Polícia Federal, com o próprio governador sendo apontado pelo STJ em investigações.

Em contrapartida, Almeida ressaltou que seus seis anos de gestão na capital passam ilesos por órgãos de controle federais e estaduais, com contas aprovadas e transparência atestada.

Estão instrumentalizando o Estado para tentar inviabilizar uma candidatura”, afirmou.

Recado final: intimidação não funciona

Conforme a postura adotada na coletiva, David Almeida busca transformar o que seria uma armadilha política em um palanque de demonstração de força e transparência. Ao bancar sua equipe e exigir respostas sobre os verdadeiros criminosos que seguem soltos, o agora pré-candidato deixou um recado claro, segundo sua própria narrativa: a velha política da intimidação policial no Amazonas encontrou uma barreira intransponível na verdade.