Política
Lula resiste a acordo sobre metais raros com EUA após tarifa de Trump
Presidente afirma que negociação sobre nióbio e lítio só pode ser feita diretamente com governo brasileiro
Reprodução e Buda Mendes/Getty Images
O governo brasileiro resiste a fechar qualquer acordo sobre metais raros com os Estados Unidos após a imposição de tarifas de 50% pelo governo de Donald Trump. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que negociações sobre minerais estratégicos como nióbio e lítio devem ser conduzidas diretamente entre os governos, e não através de conversas informais com o setor privado.
Os metais raros em questão são essenciais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, semicondutores, painéis solares e turbinas eólicas.
O Brasil possui uma das maiores reservas mundiais desses recursos minerais, o que torna o tema particularmente sensível para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país.
Tentativas frustradas de acordo
No ano passado, o governo brasileiro chegou a discutir com a administração Biden uma parceria que previa o fornecimento estável de metais raros em troca de investimentos americanos em industrialização local. No entanto, as negociações foram interrompidas após a eleição de Donald Trump e, segundo assessores do Planalto, não há clima para retomar a proposta inicial.
Lula deixou claro que qualquer negociação sobre os metais estratégicos deve incluir contrapartidas concretas em termos de investimentos e transferência de tecnologia. O presidente destacou que nem mesmo o governo Bolsonaro, aliado de Trump, aceitaria abrir mão desses recursos sem garantias de benefícios para a industrialização brasileira.
Impactos econômicos iminentes
Com a tarifa americana prestes a entrar em vigor na próxima semana, o governo brasileiro estima que o setor produtivo nacional possa perder até 110 mil postos de trabalho. O Ministério da Economia já prepara um plano de contingência para mitigar os efeitos sobre o emprego e a inflação, que podem comprometer os recentes avanços econômicos do país.
Enquanto aguarda um posicionamento formal do governo americano, o Brasil mantém-se aberto ao diálogo, mas exige que as negociações sejam conduzidas de forma direta e com garantias de benefícios mútuos. O Palácio do Planalto reforça que a exploração desses recursos minerais é estratégica para o desenvolvimento nacional e não será negociada sem contrapartidas significativas.


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