Política
Lula envia ao Congresso acordo Mercosul-UE no 1º dia do ano legislativo e mira aprovação até o Carnaval
Após 26 anos de negociações, acordo prevê redução de tarifas para carnes, açúcar, etanol e café; estimativa é de impacto de R$ 37 bilhões no PIB brasileiro.
(Reprodução)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (2) – primeiro dia do ano legislativo – o texto do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, firmado após 26 anos de negociações. O governo busca aprovação rápida, ainda no primeiro semestre, para pressionar a ratificação europeia e aproveitar a janela política.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já sinalizou a intenção de votar o acordo até o Carnaval. A ministra Gleisi Hoffmann (PT) confirmou o envio ainda nesta primeira semana de fevereiro.
O que o Brasil ganha
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Redução ou eliminação de tarifas para produtos como carnes, açúcar, etanol, suco de laranja, café e celulose;
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Diversificação comercial em um momento em que a China, maior compradora da carne brasileira, impôs cotas com sobretaxa de 55% para volumes acima de 1,1 milhão de toneladas;
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Previsibilidade institucional e acesso a um mercado sofisticado de 480 milhões de consumidores.
Impactos estimados
Segundo projeções do governo, o acordo trará:
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Aumento de 0,34% no PIB (cerca de R$ 37 bilhões);
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Crescimento de 0,76% nos investimentos (R$ 13,6 bilhões);
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Queda de 0,56% nos preços ao consumidor;
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Expansão de 2,65% nas exportações (R$ 52,1 bilhões).
Desafios e exigências
Especialistas alertam que o acordo exigirá padrões sanitários, ambientais e jurídicos mais elevados do setor produtivo brasileiro. “O Brasil pode se posicionar como fornecedor estratégico de alimentos para a Europa, desde que esteja preparado juridicamente”, afirma o especialista em agronegócio Igor Fernandez de Moraes.
Contexto histórico
As tratativas começaram em 1999, com base na complementaridade entre o agronegócio do Mercosul e a indústria europeia. Com o tempo, a indústria alemã perdeu competitividade para a chinesa, enquanto o agronegócio francês não acompanhou a eficiência brasileira, gerando resistências internas na UE.


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