Política
Lula e Flávio assinam acordo de quebra de sigilos no TSE, mas troca de acusações marca o dia
Petição foi assinada na sede do Tribunal Superior Eleitoral nesta quinta-feira (22); Flávio aceitou abrir dados dos últimos 20 anos, e Lula concordou com todas as exigências, incluindo a inclusão da offshore Alcazar Holdings; campanha do PL, porém, acusa petista de não entregar documentos e fala em “pegadinha”
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) assinaram nesta quinta-feira (22), na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , uma petição em que aceitam a quebra recíproca de sigilos bancário, fiscal e telefônico. O acordo, porém, foi acompanhado de troca de acusações e de um impasse sobre a entrega dos documentos, a três dias do segundo turno.
O documento foi assinado por Lula digitalmente e pela advogada de Flávio, a ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri, com procuração do senador. No texto, os dois “autorizam a abertura total e simultânea dos respectivos sigilos com a divulgação dos dados em sítio eletrônico público”. O prazo para entrega das procurações pendentes foi fixado em 23h59 desta quinta-feira.
O que cada lado entregou
Do lado petista, a lista inclui Lula, a primeira-dama Janja, os cinco filhos do presidente — Lurian, Marcos, Fábio Luís (Lulinha), Sandro e Luís Cláudio — e a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações, da qual Lula é sócio. Flávio, por sua vez, autorizou a abertura de seus sigilos e dos familiares indicados na petição inicial — incluindo o pai, Jair Bolsonaro, a mãe, Rogéria, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan —, além das empresas das quais é sócio ou administrador. O período abrange os últimos 20 anos, e o senador também consentiu com a abertura das mensagens que trocou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A queda de braço em torno da Alcazar Holdings
O ponto mais delicado da negociação foi a Alcazar Holdings, offshore com sede na Ilha da Madeira, em Portugal, pertencente ao advogado Willer Thomaz e investigada em um inquérito sobre lavagem de dinheiro. A Polícia Federal aponta a suspeita de que Flávio seria “usuário master” da empresa. Em um primeiro momento, a campanha de Flávio tentou retirar a Alcazar da lista de pessoas jurídicas a serem abertas, alegando que o senador não é sócio nem administrador da companhia.
A equipe de Lula, no entanto, condicionou o acordo à inclusão da offshore. O senador Camilo Santana (PT-CE) , coordenador da campanha petista, disse que a campanha “estranhou” a tentativa de exclusão e que Lula “não se opõe a absolutamente nada” do que Flávio pediu. Pressionada, a campanha do PL cedeu, e a Alcazar foi incluída na autorização. Como Flávio não tem vínculo oficial com a empresa, caberá ao relator, ministro André Mendonça, requisitar os dados diretamente às instituições financeiras.
“Pegadinha” e troca de acusações
Após a assinatura, a trégua durou pouco. O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) , escolhido pela campanha de Flávio para analisar os documentos de Lula, acusou a campanha petista de tentar excluir o Instituto Lula do acordo e de não entregar os dados prometidos. Em vídeo gravado no TSE, Dallagnol afirmou que os advogados de Flávio perceberam a manobra e intervieram para garantir a abertura “integral” dos sigilos.
“Mais uma vez ele mentiu e ele quebrou a promessa. A última vez que eu vi os documentos do sigilo do Lula, ele foi acabar na cadeia”.
Do outro lado, aliados do presidente criticaram a demora de Flávio em aceitar o desafio, lançado no debate da Band no domingo (18). O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, lembrou que o senador levou quatro dias para responder e ainda impôs condicionantes. Camilo Santana reforçou que o acordo exige que “tudo seja feito hoje para o povo brasileiro saber quem é ladrão nesse país”.
O que acontece agora
Com as procurações entregues até a meia-noite, o ministro André Mendonça, relator do pedido no TSE, deverá requisitar os dados ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras de telefonia. A previsão do acordo é que as informações sejam divulgadas simultaneamente em um site de acesso público, possivelmente na plataforma DivulgaCand, do TSE.


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