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Política

Lula defende investigação independente sobre megaoperação no Rio e chama de ‘matança’

Presidente contesta versão de autoridades estaduais, diz que ordem judicial era de prisão e não de ‘matança’, e afirma que ação foi ‘desastrosa’ do ponto de vista do Estado.

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Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que o governo federal vai pressionar por uma investigação independente sobre a megaoperação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro na semana passada. A declaração representa o posicionamento mais crítico e direto do Planalto sobre a ação, que foi a mais letal da história do país.

Em entrevista a jornalistas internacionais em Belém, Lula questionou a condução da operação e fez uma distinção clara entre a ordem judicial e o resultado final. “É importante ver em que condições se deu”, disse o presidente. “A ordem do juiz era uma ordem de prisão, não uma ordem de matança, e houve uma matança.”

A operação, realizada no dia 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha com o objetivo de prender líderes do Comando Vermelho (CV), resultou na morte de 117 suspeitos e quatro policiais.

Disputa de Narrativas

O posicionamento de Lula entra em rota de colisão com a avaliação das autoridades estaduais do Rio. O governador Cláudio Castro (PL) chegou a classificar a operação como um sucesso, afirmando que as “únicas vítimas reais” foram os policiais mortos e que todos os demais mortos eram criminosos.

A declaração do presidente reflete o cenário político complexo que a operação criou para seu governo, que tenta equilibrar a defesa de direitos humanos, uma de suas bandeiras, com a pressão por segurança pública e a popularidade de ações duras contra o crime organizado.

“O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa”, avaliou Lula.

A defesa por uma apuração independente pelo governo federal sinaliza a intenção de aprofundar o escrutínio sobre os métodos e a legalidade da ação, em um tema que promete seguir no centro do debate nacional sobre segurança pública.