Política
LOTEAMENTO: Roberto Cidade oficializa braço direito de Joana Darc na Sepet e reforça “governo de continuidade”
Efetivação de Edgar Duarte Nogueira na Secretaria de Proteção Animal confirma que pastas seguem sob domínio de deputados aliados.
Montagem/Canal92am
O governador Roberto Cidade (União Brasil) oficializou Edgar Duarte Nogueira como titular da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet). A nomeação, longe de ser uma surpresa técnica, carimba a manutenção da influência total da deputada estadual Joana Darc (União Brasil) sobre a pasta.
Edgar, que já foi secretário-executivo de Joana na Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e chefe de gabinete na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), agora assume o comando oficial de uma secretaria criada sob medida para atender à base aliada.
Mais do mesmo?
A estratégia de Roberto Cidade em suas primeiras semanas de governo tem sido clara: não mexer em time que está jogando conforme o interesse político da Aleam. Em vez de trazer nomes novos ou perfis técnicos independentes para dar uma cara própria ao seu mandato, o governador tem optado por efetivar quem já estava lá, muitas vezes como indicações diretas de parlamentares.
Além de Edgar na Sepet, Cidade manteve Gustavo Igrejas na Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) e Riceli Pontes na Secretaria de Produção Rural.
Essa postura de “manter tudo como está” levanta o questionamento: Roberto Cidade tem autonomia para montar seu próprio secretariado ou está apenas mantendo os acordos que o levaram ao cargo?
O secretário “sombra”
Embora o currículo de Edgar Nogueira aponte formação em Gestão Pública, sua trajetória é intrinsecamente ligada ao gabinete de Joana Darc. A Sepet, criada no início do ano passado, nasceu sob a sombra da deputada, e a efetivação de seu aliado mais próximo garante que a secretaria continue funcionando como uma extensão do mandato parlamentar, e não como uma política de Estado independente.
Preso às amarras?
Ao manter nomes que já ocupavam funções estratégicas, Roberto Cidade evita atritos com a Assembleia Legislativa, garantindo um “conforto” político necessário para sua sobrevivência no cargo até 2027. No entanto, o preço desse conforto é a ausência de uma reforma administrativa que Manaus e o interior tanto esperam.
Enquanto o governador afirma que “está pronto”, as nomeações sugerem que o governo ainda está preso às amarras das indicações políticas, priorizando o loteamento de cargos em vez de uma gestão técnica e inovadora.


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