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Política

“Hora de botar desculpas de lado”: Renato Junior rebate Roberto Cidade e diz que Manaus não pode esperar

Após governador alegar ter apenas “4 dias” no cargo para não ajudar no asfaltamento, prefeito de Manaus sobe o tom, descarta politicagem e reafirma que a Prefeitura seguirá nas ruas com ou sem o apoio do Estado.

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Reprodução

O embate sobre a recuperação viária de Manaus ganhou um novo e explosivo capítulo, nesta sexta-feira (8). O prefeito Renato Junior (Avante) não deixou sem resposta a declaração do governador Roberto Cidade (União Brasil), que havia recusado um pedido de parceria alegando estar há pouco tempo no comando do Estado. Sem rodeios, Renato Junior sugeriu que o governador deixe as “desculpas de lado” e foque no povo que sofre com os buracos.

Em um tom institucional, mas extremamente firme, o prefeito de Manaus rebateu a insinuação de Cidade de que o pedido de ajuda seria uma “estratégia política”. Renato lembrou que, ao contrário do passado, não está pedindo convênios às vésperas de eleição, mas sim ação imediata para o agora.

“Eu não sou candidato a nada e nem o governador Roberto é candidato a nada, até onde me consta. Se for para falar de política, eu não estou aberto a isso. Estou aberto a falar de Manaus, do povo da minha cidade que está sofrendo”, disparou o prefeito.

A fala de Renato Junior atinge o ponto sensível do discurso de Roberto Cidade. Enquanto o governador se ancora na justificativa de ter apenas “quatro dias” de mandato eleito para não assumir responsabilidades com a infraestrutura da capital, o prefeito de Manaus cobra uma postura de quem dizia estar pronto para os desafios do Amazonas.

“Acho que chegou a hora de botar as desculpas para o lado de fora”, afirmou Renato, em um recado direto ao Palácio da Compensa. Para a gestão municipal, os problemas da cidade não tiram licença para que um novo governante se ambiente no cargo.

“Se não quiser fazer, não faça”

Diferente da postura de espera do Governo do Estado, a Prefeitura de Manaus reafirmou que o cronograma de obras não será interrompido pela falta de cooperação estadual. Renato Junior deixou claro que a mão estendida foi um gesto de boa vontade para acelerar o serviço, mas que a Prefeitura tem autonomia e disposição para seguir sozinha se for necessário.

“Manaus vai estar fazendo a sua parte. Se o Governo quiser fazer a sua parte, faça. Se não quiser, não faça. É uma opção. Eu, como prefeito, vou estar na rua fazendo”, sentenciou Renato.

O isolamento do discurso estadual

Ao recusar a parceria proposta pela Prefeitura, Roberto Cidade corre o risco de se isolar politicamente logo na primeira semana de governo eleito. Ao rotular como “estratégia política” um pedido de asfalto que não envolve transferência de dinheiro, o governador acaba por politizar uma demanda que é técnica e social.

Enquanto isso, a imagem que fica para o eleitor manauara é a de um prefeito que convida para o trabalho e de um governador que se esquiva com o relógio na mão.