O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) discursou nesta terça-feira (7) em audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e pediu o cancelamento das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em um discurso de quatro minutos e 50 segundos, em inglês, ele defendeu o Pix e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o único interessado na taxação.
“O Pix não é um problema a ser corrigido. É uma solução. Ele ampliou a inclusão financeira ao trazer milhões de brasileiros — especialmente os mais pobres — para a economia formal”, declarou o senador, que também afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos não concorre com instituições americanas, mas se complementa.
Flávio foi o primeiro a falar no painel, que teve ainda a participação de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da indústria calçadista. Antes da audiência, ele já havia enviado um documento de 86 páginas ao USTR pedindo a suspensão das tarifas.
O senador também criticou o que chamou de “censura e corrupção” no Brasil e disse que as tarifas impostas em 2025 “não produziram os resultados pretendidos” pelo governo americano. “Em vez disso, elas foram politicamente exploradas pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro — exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, afirmou.
Flávio ainda sugeriu que o cenário político brasileiro pode mudar em até 90 dias, com as eleições presidenciais, e que por isso os EUA deveriam esperar antes de aplicar a medida. “Vocês têm a chance de ter um presidente não antiamericano como o atual”, declarou. Ao deixar a sessão, ele foi direto: “Cancelamento. Só quem quer tarifa é o Lula, não quero tarifas para o Brasil”.
Governo Lula enviou observadores
O governo brasileiro decidiu enviar observadores da Embaixada do Brasil em Washington para acompanhar a audiência. Segundo o Planalto, a presença de diplomatas tem como objetivo permitir que o governo tome conhecimento dos argumentos apresentados durante o encontro, mas sem interferir na sessão.
O governo avalia que as audiências têm caráter técnico e não integram as negociações bilaterais já em curso, conduzidas por um grupo de trabalho criado após o encontro entre Lula e Donald Trump. Na semana passada, houve uma videoconferência entre auxiliares brasileiros e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
Apesar do canal formal de negociação, uma ala do governo é pessimista sobre a chance de o Brasil escapar do tarifaço, cuja decisão final está marcada para 15 de julho. O governo já indicou a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias, mas manteve o Pix como inegociável.
A audiência desta terça-feira foi a última etapa pública antes da decisão final do USTR, que pode confirmar ou reverter a recomendação de taxação de 25% sobre as importações brasileiras.
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