Política
ENTREVISTA: Bosco Saraiva fala de recorde de faturamento no PIM, geração de empregos e fortalecimento de renda
Superintendente da Zona Franca de Manaus afirmou que “há pessoas que ainda têm na cabeça que a gente está montando televisão”, destacou os avanços tecnológicos e declarou que se prepara para as Eleições 2026
O superintendente da Zona Franca de Manaus, Bosco Saraiva, concedeu entrevista exclusiva ao jornalista e ao articulista do Canal92am, Anderson S.Silva e Marcelo Amorim, respectivamente, detalhando os números recordes do Polo Industrial de Manaus (PIM) em 2025. Os planos de expansão e diversificação da economia regional, e a distribuição de recursos tributários também foram destacados. Trecho da entrevista foi veiculado no programa Dissica e o Povo com Luiz Costa, na Rádio FM do Povo FM 94.3, no último domingo (11/01).
Com faturamento superior a R$ 209 bilhões e mais de 132 mil empregos diretos, o PIM vive, segundo ele, um momento de “crescimento permanente” e segurança jurídica após a reforma tributária. Bosco também afirmou que esse crescimento passa “pelas mãos” da bancada amazonense no Congresso Nacional, em Brasília.
Desde 2023 à frente da pasta que cuida do Polo Industrial de Manaus, o gestor que no passado ocupou as cadeiras de vereador, deputado estadual, federal e vice-governador, revelou a intenção de disputar o pleito 2026 e destacou o alinhamento com o pré-candidato ao governo do Amazonas, senador Omar Aziz (PSD).
Confira os principais pontos da conversa:
Canal92am: Nessa visão estratégica do futuro da Zona Franca, qual é a visão que a gestão para os próximos 5 ou 10 anos?
Bosco Saraiva: As diretrizes principais que a gente tem aqui na SUFRAMA, já desenhadas, são de crescimento permanente. A reforma tributária, que trouxe a nossa segurança jurídica, ela nos permitiu assistir já em 2025, por exemplo, um crescimento muito grande. Nós aprovamos 79 novas empresas que deverão se instalar nos próximos 3 anos no Polo Industrial de Manaus.
Nós já estamos há mais de 6 meses cuidando da capacitação da mão de obra. A gente vai precisar de muita gente capacitada devido a esse volume de novas oportunidades de emprego, capacitação técnica, tanto superior quanto em nível médio. E também a criação de novas áreas industriais para que essas empresas possam ter facilidade em se instalar aqui no Polo Industrial de Manaus.
Os incentivos da Zona Franca permanecerão preservados na prática?
Bosco Saraiva: A reforma tributária nos permitiu isso. A reforma tributária, muito bem conduzida pela nossa bancada, sob a coordenação do senador Omar Aziz, com o brilhante relatório do senador Eduardo Braga, com a participação do senador Plínio, dos demais deputados federais, nossos 9 deputados, porque a gente inclui aí também o deputado Pauderney Avelino, que ajudou muito e trabalhou muito também naquela fase importante de debates. Nós temos, enfim, a garantia, a segurança jurídica, e é isso efetivamente que proporcionou a vinda de tantas empresas para cá, para o Polo Industrial de Manaus.
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E isso vai gerar impacto na geração de empregos, de novas frentes de trabalho?
Bosco Saraiva: Isso já gerou! Porque nós chegamos em 2023 à SUFRAMA, o Polo Industrial de Manaus tinha 109 mil trabalhadores, e hoje nós fechamos 2025 com 132 mil trabalhadores, direto no chão de fábrica, o que isso propicia três vezes no comércio e no serviço de empregos para o nosso povo.
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Diversificação do Modelo ZFM
O modelo ainda é muito concentrado na questão da indústria de eletroeletrônica, quais são as ações que estão sendo tomadas para diversificar a matriz econômica?
Bosco Saraiva: Nós temos muita coisa desenvolvida já em outros setores, porque basicamente as pessoas ainda têm na cabeça que a gente está montando televisão. Na verdade, nós estamos muito além disso. Nós temos aqui já várias empresas em nível 4.0, montado no Polo Industrial de Manaus, com processo produtivo dos mais avançados do planeta. O processo produtivo na Zona Franca de Manaus é mais avançado inclusive do que o processo produtivo que a gente assiste hoje na China. Não estamos falando de desenvolvimento de tecnologia, nós estamos falando de processo produtivo. E de fábrica montada com muito mais eficiência de produção, do ponto de vista de qualidade e quantidade.

(Divulgação)
O Polo Industrial é referência no mundo. Mas como está sendo trabalhado nossa bioeconomia?
Bosco Saraiva: Nós estamos entre os top 5 dos centros produtores mundiais e a gente só tende a crescer com isso. Há muito recurso sendo investido em desenvolvimento de produtos regionais em nível industrial. Nós temos um programa prioritário que fiscaliza de investimentos milionários na área de desenvolvimento da bioeconomia. Bioeconomia, bioeconomia, todo mundo fala disso, todo mundo está falando disso. O que é isso? É, por exemplo, pegar 100 mil couro de pirarucu adulto, que são retirados dos lagos e de reservas, que é o manejo autorizado pelos órgãos de controle ambiental, e transformá-lo em bolsas, em sapato, em bota, em casacos e, portanto, com um volume de matéria-prima possível de industrialização.
Todos esses processos estão em desenvolvimento?
Bosco Saraiva: Nós temos aproximadamente 10 anos de investimento maciço em pesquisa, desenvolvimento e inovação. E não se faz ciência em desenvolvimento de novas coisas da noite para o dia. Esse muitas vezes uma pesquisa é um tiro na água. Você começa a fazer o desenvolvimento de um medicamento para o coração e ele dá resultado e o resultado final é para beneficiar outro setor do corpo humano. Assim é a pesquisa e o desenvolvimento.
Existe um plano concreto para atrair startups, tecnologia verde, economia digital?
Bosco Saraiva: Nós estamos incentivando isso há 3 anos, não só no Amazonas. É importante dizer que a SUFRAMA cobre Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá. E nós estamos trabalhando isso desde 2023. Nós crescemos grandemente os investimentos nesses setores também, nesses estados, a partir exatamente dos recursos oriundos da indústria, que é a obrigação de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. É fundamental que nós possamos desenvolver a região inteira.

(Divulgação)
Suframa e os demais municípios
O diálogo com o governo do estado e as prefeituras no interior tem sido efetivo?
Bosco Saraiva: Institucionalmente, nós falamos com todos a todo momento. As parcerias que nós firmamos no sentido da estrutura para que nós possamos ir aos municípios do interior do estado foram feitas, os prefeitos sempre nos ajudaram, Coari, Manacapuru, Itacoatiara, os municípios que nós já visitamos, Rio Preto da Eva, Anori, não só por estradas, mas também de barco nós fomos. Tem uma agenda que a gente cumpre, a gente leva a SUFRAMA e orienta, porque os incentivos da SUFRAMA são alcançados também por aquelas empresas que estão no interior do estado, e é preciso que a gente leve a informação, é isso que a gente tem feito.
E a infraestrutura logística da competitividade?
Bosco Saraiva: Essa não diz respeito à SUFRAMA, a SUFRAMA fiscaliza os incentivos, essa diz respeito à outra instância de poder, a logística da região é bem conhecida, nós temos um transporte efetivamente de custo muito barato, porque é fluvial, o transporte de mercadoria de carga fluvial é o mais barato que existe no mundo, enquanto você tem um cavalo puxando uma carreta, você tem uma balsa que transporta 60 cavalos. Então esse custo é um atrativo, evidentemente que a gente precisa evoluir com relação à segurança dos nossos rios, com relação ao avanço da questão tecnológica de cobertura dessas rotas de entrada e saída, entrada de insumos e saída de mercadoria, mas isso é uma coisa que a SUFRAMA participa somente com o seu conhecimento técnico e o parecer dos nossos técnicos.

(Divulgação)
Sobre o recorde do faturamento de 2025, houve uma crítica, principalmente de algumas lideranças, sobre essa distribuição que acaba sendo insignificante diante do grande número. Essa crítica tem fundamento?
Bosco Saraiva: A repartição dos recursos tributários não diz respeito à SUFRAMA, essa repartição de impostos foi um debate que foi estabelecido na reforma tributária, portanto essa é uma matéria vencida, era para ter discutido isso lá na reforma tributária quando o Congresso estava discutindo, agora é letra morta, é conversa fiada discutir isso, essa repartição de tributos. Primeiro que não diz respeito à SUFRAMA, não diz respeito à Zona Franca de Manaus, diz respeito ao Congresso Nacional e essa matéria foi vencida na reforma tributária.
O senhor, como homem público, pretende se candidatar nas próximas eleições?
Bosco Saraiva: Nós estamos trabalhando a possibilidade de retornarmos ao governo, no apoio ao senador Omar Aziz, tem uma candidatura posta que nós estamos trabalhando um belo plano de governo para apresentar ao povo, se houver aprovação do povo, nós ficaremos satisfeitos porque nós precisamos evoluir.


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