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Política

Crise no clã Bolsonaro: filhos criticam Michelle por discordar de apoio do PL a Ciro Gomes no Ceará

Ex-primeira-dama pediu perdão após atrito com enteados, mas manteve críticas; reunião de emergência do PL busca acalmar ânimos e Flávio surge como principal interlocutor

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Reprodução

Dez dias após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, o clã bolsonarista enfrenta sua primeira crise interna, com um embate público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente – Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. A divergência ocorreu após o diretório do PL no Ceará declarar apoio a uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado, movimento criticado por Michelle e endossado pelos filhos.

A crise começou quando o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente estadual do partido, afirmou que o próprio Bolsonaro havia autorizado o apoio a Ciro Gomes para “derrotar o PT” no estado. No domingo (30), durante evento no Ceará, Michelle questionou publicamente a aliança: “Fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá!”

Reação dos filhos e pedido de perdão

As declarações de Michelle provocaram reação imediata dos enteados. O senador Flávio Bolsonaro afirmou ao portal Metrópoles que ela “atropelou” Bolsonaro e agiu de forma “autoritária e constrangedora”. Eduardo e Carlos manifestaram apoio ao irmão nas redes sociais, reforçando que a decisão partiu do pai.

Na madrugada desta terça-feira (2), Michelle publicou uma nota pedindo perdão, mas manteve sua posição contrária a Ciro: “Como ficar feliz com o apoio à candidatura de um homem que xinga o meu marido o tempo todo?”. Flávio disse à CNN Brasil que já conversou com a madrasta e resolveram a questão, ressaltando que decisões sobre palanques ainda serão analisadas em todos os estados.

PL marca reunião de emergência

A crise motivou uma reunião de emergência da cúpula do PL nesta terça-feira para acalmar os ânimos. Segundo apurou a CNN, integrantes do partido avaliam que o episódio prejudicou qualquer chance de Michelle compor uma chapa presidencial em 2026. A tendência é que o partido “enquadre” a ex-primeira-dama em assuntos eleitorais e fortaleça Flávio Bolsonaro como principal interlocutor do pai.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deve alertar Michelle de que manifestações sobre eleições e decisões partidárias devem passar necessariamente por ele e por Flávio. A estratégia do partido é consolidar Flávio como a voz do bolsonarismo na ausência do ex-presidente, preso desde 22 de novembro e condenado a 27 anos de prisão por participação em plano golpista.