Política
Câmara destrava votação do fim da escala 6×1 e comissão pode aprovar texto ainda nesta quarta
Sessão relâmpago de oito minutos no plenário foi necessária para vencer pedido de vista da oposição. Redução da jornada para 40 horas com dois dias de descanso e manutenção de salários está em jogo.
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A Câmara dos Deputados realizou na manhã desta quarta-feira (27) uma sessão relâmpago de apenas oito minutos para destravar a votação do fim da escala de trabalho 6×1 na comissão especial. Presidida pelo deputado Charles Fernandes (PSD-BA), a reunião no plenário não teve votações e contou apenas com discursos – sendo o único na tribuna o deputado Jorge Solla (PT-BA), que defendeu a redução da jornada.
O parecer da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 foi apresentado na última segunda-feira (25) pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), mas o texto sofreu um pedido de vista da oposição, que exige a realização de duas sessões do plenário para esgotar o prazo de análise. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou sessões deliberativas na terça (26) e nesta quarta (27) para viabilizar a votação na comissão especial ainda hoje.
O que está em jogo
O relatório de Leo Prates prevê:
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Redução gradual da jornada: de 44 para 42 horas semanais em até 60 dias após a promulgação da emenda; e para 40 horas semanais após 12 meses.
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Fim da escala 6×1: adoção obrigatória da escala 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana, um deles preferencialmente aos domingos.
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Manutenção dos salários: vedação de qualquer redução salarial, seja nominal ou proporcional.
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Jornada de 40 horas: limite máximo de oito horas diárias e 40 horas semanais.
A transição foi o ponto mais delicado das negociações. O setor empresarial pressionava por prazos mais longos – algumas emendas propunham até dez anos de adaptação. Já movimentos sociais e centrais sindicais defendiam a mudança imediata. O texto final costurado pelo governo e pelas lideranças da Câmara estabeleceu os 14 meses (60 dias + 12 meses) como período de transição.
O presidente Hugo Motta classificou três pontos como “inegociáveis”: a redução da jornada, o fim da escala 6×1 e a proibição de corte salarial . “Partimos do princípio de que esses três pontos são inegociáveis para a Câmara dos Deputados e para o governo. Temos ampla convergência nessas três situações que trazem para o trabalhador uma nova realidade”, afirmou o parlamentar.
Próximos passos
Se aprovada na comissão especial nesta quarta-feira (27), a expectativa é que a matéria seja analisada no plenário da Câmara ainda hoje ou na manhã de quinta-feira (28) . Para ser aprovada em primeiro turno, a PEC precisa de 308 votos favoráveis. Depois da Câmara, o texto segue para o Senado Federal.
Uma nova sessão do plenário está prevista para as 15h desta quarta-feira . A base governista tem pressa para votar a proposta, avaliada como um importante ativo eleitoral nas eleições de outubro.


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