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Política

Após derrota na CPMI do INSS, governo segura pagamento de emendas e libera apenas R$ 100 mi para parlamentares

Planalto desembolsou apenas 13% das emendas autorizadas para 2025; oposição usou insatisfação com atrasos para eleger presidente e relator da comissão

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Edilson Rodrigues/ Agência Senado

Em retaliação à derrota sofrida na eleição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o governo Lula reduziu drasticamente a liberação de emendas parlamentares na semana passada. Dados do Siga Brasil mostram que, apenas 13% das emendas de 2025 foram pagas — R$ 6,29 bilhões de um total de R$ 50,38 bilhões autorizados.

Nos dias críticos da reviravolta política, quarta (20/8) e quinta-feira (21/8), o Planalto liberou apenas R$ 100,6 milhões em emendas. Detalhes revelam que R$ 22,2 milhões foram direcionados a 23 integrantes da própria CPMI, com destaque para:

  • Senador Chico Rodrigues (DEM-RR): R$ 12 milhões;

  • Senadora Teresa Leitão (PT-PE): R$ 1,3 milhão;

  • Senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR): R$ 1,25 milhão.

A oposição capitalizou o descontentamento generalizado com os atrasos nos repasses para articular a eleição do senador Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência da comissão e do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) para a relatoria. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), conduziu negociações madrugada adentro com parlamentares do Centrão insatisfeitos.

Estratégia de pressão

A demora nos pagamentos — que afeta principalmente aliados do governo — é vista como uma falha grave na articulação política da ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais). Após a derrota, ela convocou líderes da base para tentar recompor apoios, mas não houve liberação massiva de recursos como resposta.

A CPMI do INSS foi criada para investigar um esquema bilionário de descontos ilegais em benefícios previdenciários, revelado inicialmente pelo Metrópoles em dezembro de 2023. As reportagens levaram à Operação Sem Desconto da Polícia Federal e à queda do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Com a oposição no comando das investigações, o governo perde controle sobre o ritmo e o direcionamento das apurações, um revés estratégico em ano pré-eleitoral.