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Política

Ala “neoconservadores em conserva” da escola que homenageou Lula gera polêmica e ações na Justiça

Escola que homenageou Lula no Grupo Especial do Carnaval do Rio representou evangélicos e família tradicional dentro de latas. Romeu Zema, Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro anunciam medidas judiciais por preconceito religioso.

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(Reprodução)

A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval carioca, na noite deste domingo (15), foi marcada por forte repercussão política e jurídica. A escola levou para a Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, homenageando a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas uma ala específica gerou críticas acirradas de lideranças políticas e religiosas: a “neoconservadores em conserva”.

A representação polêmica

A alegoria, apresentada na ala “Neoconservadores em conserva”, trazia a imagem de um casal heterossexual com filhos dentro de uma lata de conserva, simbolizando, segundo a escola, grupos que atuam em oposição ao projeto político associado ao presidente. As fantasias incluíam referências ao agronegócio, a defensores da ditadura militar e a grupos religiosos evangélicos, com símbolos visuais que representariam esses segmentos.

De acordo com a agremiação, a ala representava setores identificados com o neoconservadorismo – entre eles, uma mulher de classe alta e evangélicos, todos “enlatados” como crítica política .

Zema anuncia ação por preconceito religioso

O governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo) , foi um dos primeiros a se manifestar. Em vídeo publicado nas redes sociais, anunciou que entrará com uma ação na Justiça contra o que classificou como desrespeito à fé cristã.

“O Brasil é um país de muita fé, são mais de 50 milhões de evangélicos, gente que trabalha duro, que cria filhos, que paga impostos, que ora pelo país. Agora eu vejo uma ala desse desfile do Lula colocando evangélico dentro de lata, como se fosse caricatura. Isso não é arte, isso é sim desrespeito“, declarou .

Zema afirmou que a representação configura preconceito religioso, crime previsto em lei. “Você pode discordar de alguém, pode debater política, mas ridicularizar a fé de milhões de brasileiros é preconceito religioso. E preconceito religioso é crime. Eu não aceito que brasileiro seja tratado como lixo por causa da sua fé”, completou.

Nikolas Ferreira ironiza: “Se fosse em 2022, Bolsonaro estaria preso”

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também reagiu. Em seu perfil no X (antigo Twitter), publicou uma comparação irônica:

“Se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e inelegibilidade vitalícia.”

A postagem ultrapassou 148 mil visualizações .

Flávio Bolsonaro promete ação no TSE

O senador Flávio Bolsonaro (PL) , pré-candidato à Presidência, também se manifestou:

“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA! Vamos vencer o mal com o BEM!”, escreveu .

Moro critica ausência de menções à corrupção

O senador Sergio Moro (União-PR) questionou o conteúdo do desfile:

“Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula. Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo Governo. A Coreia do Norte não faria melhor”, escreveu .

Partido Novo pede inelegibilidade de Lula

Partido Novo informou que vai acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade do presidente Lula, citando a homenagem feita pela escola de samba. A legenda avalia que o desfile pode ter implicações políticas e eleitorais, especialmente por ter ocorrido com financiamento público .

Debate sobre limites entre arte e política

A polêmica reacendeu discussões sobre os limites entre crítica política, manifestação artística e respeito a crenças religiosas. Enquanto críticos apontam preconceito e uso político do carnaval, defensores da escola afirmam que o desfile seguiu a tradição das agremiações de abordar temas sociais e políticos.

O caso deve ter novos desdobramentos judiciais e políticos nos próximos dias, com ações prometidas por parlamentares e partidos.