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Polícia

Vídeo: Duas pernas humanas são encontradas em zonas distintas da capital

Primeiro membro foi achado por garis em balsa de lixo no Centro; segundo, por moradores em igarapé na zona norte.

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(Reprodução)

A manhã desta quinta-feira (19) foi marcada por cenas de terror em Manaus. Duas pernas humanas foram encontradas em locais distintos da capital amazonense, levantando a suspeita de um possível homicídio seguido de esquartejamento, com partes do corpo espalhadas em diferentes regiões da cidade.

Primeiro achado: balsa de lixo no Centro

O primeiro membro foi localizado por volta das 7h por trabalhadores da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) durante o serviço de recolhimento de resíduos . A perna estava em meio ao lixo acumulado em uma balsa que opera na região central, nas proximidades do Mirante Lúcia Almeida, um dos cartões-postais da cidade.

De acordo com relatos, os garis realizavam a triagem de materiais recicláveis quando sentiram um forte odor e se depararam com o membro, que já apresentava inchaço extremo e sinais de decomposição . O trabalho na área foi interrompido e a polícia acionada.

Segundo achado: igarapé na zona norte

Pouco tempo depois, por volta das 10h20, uma segunda perna humana foi descoberta na comunidade Nossa Senhora de Fátima 1, localizada entre os bairros Mutirão e Novo Aleixo, na zona norte . Moradores foram atraídos por um cheiro insuportável vindo de uma sacola plástica preta jogada às margens de um igarapé na Travessa 29.

Acreditando que pudesse ser o cadáver de um animal, os próprios moradores abriram a embalagem e se depararam com o membro humano, que estava preso entre galhos e lixo. A Polícia Militar foi acionada e isolou a área para a perícia.

Pertencem à mesma vítima?

A principal linha de investigação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) é se as duas partes pertencem à mesma pessoa . Relatos preliminares indicam que a perna encontrada no Centro seria do lado esquerdo, enquanto a localizada na zona norte seria do lado direito, o que fortalece a hipótese de desmembramento de um único corpo .

Além disso, a perna achada no igarapé do Mutirão possui uma tatuagem, o que pode auxiliar na identificação da vítima . Ambas as partes foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) para exames de DNA e identificação.

Facções e “tribunal do crime”

O clima na região do Mutirão é de medo. Informações apuradas no local indicam que a brutalidade do crime tem a assinatura da guerra entre facções criminosas que atuam em Manaus . Práticas extremas como esquartejamento e decapitação são frequentemente utilizadas pelo chamado “tribunal do crime” para punir traidores, delatores (“X9”) ou membros de grupos rivais, servindo como um aviso sangrento à comunidade.

Ambiental e social

Além do aspecto criminal, o episódio evidencia a grave crise ambiental causada pelo descarte irregular de lixo nos igarapés de Manaus. Os trabalhadores da Semulsp relataram que o material arrastado pelas chuvas fortes – incluindo eletrodomésticos, móveis e uma quantidade massiva de plástico – chega diariamente ao Rio Negro, acumulando-se nas balsas de coleta . O servidor Marlon desabafou: “A coleta passa todos os dias na porta das pessoas, mas muitas preferem pagar cinco reais para alguém jogar o entulho na beira do igarapé”.

Investigação

Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) instaurou inquérito para investigar o caso. As autoridades buscam imagens de câmeras de segurança nas duas regiões para tentar identificar quem descartou os restos mortais . Até o momento, a identidade da vítima e as circunstâncias do crime permanecem desconhecidas.