Polícia
PM preso acusado de mandar matar cantor Dubarranco é flagrado dirigindo Land Rover e fazendo compras
Saimon Macambira Jezini, que vai a júri popular por atentado contra músico e filha de 4 anos, foi visto dirigindo veículo de luxo e circulando desacompanhado enquanto deveria estar detido no antigo núcleo prisional da PM.
Reprodução
O sargento da Polícia Militar do Amazonas Saimon Macambira Jezini, principal acusado de planejar o atentado contra o cantor Dubarranco e sua filha de 4 anos, foi flagrado em situação que escancara as fragilidades do sistema prisional militar do estado. Imagens obtidas com exclusividade mostram o policial dirigindo uma Land Rover de luxo e saindo do antigo Núcleo Prisional da PM em Manaus como se estivesse em liberdade — mesmo estando formalmente preso e aguardando julgamento .
As gravações, que circularam nas redes sociais e foram exibidas em rede nacional no programa Fantástico, da TV Globo, revelam uma rotina ultrajante de privilégios. No dia 31 de janeiro de 2026, câmeras de segurança flagraram o sargento circulando desacompanhado por uma loja de departamentos na capital. No estabelecimento, Saimon foi visto experimentando perfumes calmamente, testando uma máquina de cortar grama e, em um momento de completo desrespeito, manuseando e brincando com um facão de grandes proporções .
“Não havia nenhum pudor e não havia nenhum controle“, afirmou o promotor de Justiça Armando Gurgel, titular da 60ª PROCEAPSP, ao comentar a facilidade com que os presos saíam da unidade mediante pagamento de propinas que variavam de R$ 50 70 .
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O crime que chocou Manaus
O atentado ocorreu na noite de 9 de agosto de 2025, na zona Centro-Sul de Manaus. O músico Eduardo Oliveira, conhecido como “Dubarranco”, havia acabado de deixar um show no bairro Parque Dez e estava no carro com a esposa e a filha quando o veículo foi alvejado por diversos disparos efetuados por um homem em uma motocicleta branca .
Segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), o sargento agiu por “ciúme possessivo e vingança” , ao descobrir que o músico havia se relacionado com sua atual companheira durante um período de separação temporária . Para executar o crime, Saimon contratou outro policial militar, o cabo Jobison de Souza Vieira, que foi preso em agosto de 2025 .
As sequelas das vítimas
O ataque deixou marcas profundas nas vítimas. Dubarranco foi atingido por quatro tiros, sofreu fraturas graves e perdeu o nervo radial, com sequelas permanentes que o impedem de voltar a tocar. A filha do cantor, que na época tinha apenas 4 anos e estava no colo do pai, foi atingida por três disparos, teve o pulmão perfurado, o braço fraturado e precisou receber seis bolsas de sangue em estado gravíssimo. A esposa do músico foi baleada na perna. Todos sobreviveram após intenso atendimento médico .
Arsenal de guerra
Durante a Operação Desbarranco, deflagrada pelo MPAM em outubro de 2025, os agentes encontraram na casa do sargento e em sua residência no condomínio Alphaville mais de 20 armas de fogo, incluindo fuzis, pistolas e espingardas, além de dezenas de carregadores e centenas de munições . O sargento era registrado como CAC (colecionador, atirador e caçador), mas a quantidade de armas apreendidas ultrapassava em muito o permitido por lei .
Justiça decide por transferência
Em decisão recente, o juiz Fábio César Olintho de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, determinou que Saimon Macambira e o cabo Jobison de Souza Vieira serão levados a júri popular . O magistrado destacou que há provas contundentes da materialidade do crime e que o atirador assumiu conscientemente o risco de matar não apenas o músico, mas toda a sua família, ao abrir fogo contra o veículo parado em um semáforo .
Após a repercussão do caso, o Governo do Amazonas determinou a desativação do antigo Núcleo Prisional da PM, que funcionava como uma verdadeira “colônia de férias” para acusados de homicídios, estupros e tráfico. Saimon e os demais detentos foram transferidos para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar (UPPM/AM) , instalada nas dependências reformadas do antigo Cefec (Penitenciária Feminina), na BR-174, ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) .


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