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Polícia

Corpos de traficantes amazonenses mortos em megaoperação no RJ começam a chegar no AM

Presença de nove mortos do Amazonas, incluindo líderes como “Gringo” e “Chico Rato, evidencia elo entre facções do Norte e o Comando Vermelho; operação foi a mais letal da história do país

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Divulgação

Os corpos dos amazonenses mortos durante a megaoperação policial realizada no Complexo da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, começaram a ser repatriados para o Amazonas neste domingo (2). A repatriação deve se estender ao longo da semana, conforme a liberação dos corpos pelo Instituto Médico-Legal (IML) do Rio.

A ação, considerada a mais letal da história do país, resultou em 121 mortos – 117 identificados como ligados a facções e quatro agentes de segurança. Desse total, nove eram naturais do Amazonas. A Polícia Civil do Rio confirmou, até o momento, a identidade e a naturalidade de seis deles em registros oficiais.

A presença de amazonenses entre os mortos reforça as investigações sobre a forte aliança entre lideranças criminosas do Norte do país e o Comando Vermelho (CV), facção que domina territórios no Rio e vem expandindo sua influência na região amazônica.

Líderes do Crime Organizado entre os Mortos

Entre os mortos identificados, estão nomes apontados pela polícia como integrantes de alta relevância no crime organizado do Amazonas. Os principais são:

  • Francisco Myller Moreira da Cunha, conhecido como “Gringo” ou “Suíça” – natural de Eirunepé (AM), nascido em 27/10/1993.

  • Douglas Conceição de Souza, o “Chico Rato” – natural de Manaus (AM), nascido em 05/12/1992.

Também foram confirmados os óbitos de:

  • Waldemar Ribeiro Saraiva, “Fantasma” – natural de Manaus (AM).

  • Cleideson Silva da Cunha, “Loirinho” – natural de Manaus (AM).

  • Hito José Pereira Bastos, “Dimas” – natural do Amazonas.

  • Lucas Guedes Marques – natural de Manaus (AM).

Os outros três amazonenses mortos ainda não tiveram suas identidades detalhadas oficialmente.

Rio como Ponto Estratégico do CV

A megaoperação, que mobilizou diversas forças de segurança, evidenciou o Rio de Janeiro como um hub estratégico para a articulação nacional do Comando Vermelho. Segundo a polícia, 78 dos mortos tinham passagem pela polícia por crimes graves, 43 estavam foragidos e mais de 50 eram de outros estados – nove do Amazonas e 15 do Pará.

As investigações apontam que o CV vem recrutando e acolhendo criminosos de estados do Norte para fortalecer suas bases tanto no Rio quanto em suas áreas de origem.

Durante a ação, as forças de segurança apreenderam 93 fuzis, incluindo armamentos de origem internacional, com valor estimado em R$ 12,8 milhões. De acordo com a polícia, esse arsenal bélico era destinado a abastecer rotas do tráfico e bases da facção na região amazônica.

Transparência Questionada

A Defensoria Pública do Rio informou que solicitou acompanhar as perícias no IML, com base em garantias previstas na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. O pedido, no entanto, foi negado pela Polícia Civil, o que gerou questionamentos de entidades de direitos humanos sobre a transparência do processo de apuração.

Enquanto os corpos seguem para seus municípios de origem no Amazonas, onde familiares preparam velórios e sepultamentos, as autoridades de segurança do estado se pronunciarão oficialmente sobre o caso em uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (3).