Manaus
Caso Benício: Polícia Civil pede prisão de médica e técnica por homicídio doloso em Manaus
Investigação aponta que Juliana Brasil usava carimbo de pediatra sem título oficial e admitiu erro em mensagens; Raiza Bentes aplicou adrenalina na veia sem questionar prescrição
Montagem/Canal92am
A Polícia Civil do Amazonas solicitou à Justiça, na manhã desta segunda-feira (15), a prisão da médica Juliana Brasil e da técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, investigadas pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, após atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O pedido foi encaminhado após o avanço das investigações que apontam uma série de irregularidades no caso que chocou a capital amazonense.
De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), as apurações indicam que a médica utilizava carimbo e assinatura com referência à especialidade de pediatria, apesar de não possuir título oficialmente reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o que pode configurar falsidade ideológica e uso de documento falso.
Erro na administração de adrenalina
O inquérito aponta que Benício recebeu adrenalina por via intravenosa, procedimento considerado inadequado para o quadro clínico apresentado. A investigação revelou que a própria médica admitiu o erro na prescrição em mensagens trocadas com outro profissional de saúde. A técnica de enfermagem Raiza Bentes é investigada por ter aplicado a medicação conforme a prescrição, sem questionar a via de administração e a dosagem.
Homicídio por dolo eventual
Diante do conjunto de provas reunidas, a Polícia Civil avalia que houve assunção de risco que pode caracterizar homicídio doloso por dolo eventual – quando o agente assume o risco de produzir o resultado fatal. Além das condutas individuais, o inquérito também apura possíveis falhas estruturais do hospital e erros durante o procedimento de intubação realizado na criança.
Novas investigações
Integrantes da gestão do Hospital Santa Júlia serão ouvidos em depoimento na terça-feira (16) e na quinta-feira (18). A Polícia Civil também realizará uma perícia no sistema de gestão hospitalar para apurar suspeitas de falhas na geração de prescrições médicas. Uma das linhas de defesa da médica Juliana Brasil sustenta que o sistema teria alterado automaticamente a prescrição, mudando a forma de administração da adrenalina de nebulização para via intravenosa.
Contexto processual
A Justiça do Amazonas já havia revogado um habeas corpus concedido anteriormente à médica, o que abriu caminho para o novo pedido de prisão. O caso ganhou ainda mais complexidade quando se revelou que a equipe de enfermagem escondeu a prescrição médica original por medo de que fosse alterada após a morte do menino.
As investigações continuam e a Polícia Civil afirmou que novas diligências não estão descartadas. O caso expõe graves falhas no protocolo de administração de medicamentos e na supervisão profissional no Hospital Santa Júlia, reacendendo o debate sobre segurança do paciente e responsabilidade médica no Amazonas.


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