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Brasil

Mercado de quase R$ 2 bi em risco: UE exclui Brasil de lista de exportadores de carne

Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a vender ao bloco. Decisão atinge também ovos, mel, pescados e tripas a partir de setembro.

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Divulgação

A União Europeia (UE) publicou, nesta terça-feira (12), uma atualização da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária e excluiu o Brasil. A lista define quais países poderão continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para o bloco a partir de 3 de setembro de 2026.

Segundo a UE, o Brasil foi excluído por não fornecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, informou a agência de notícias France Presse .

O mercado em jogo

A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos, em negócios que somaram US$ 1,8 bilhão.

Apenas a carne bovina rendeu US$ 1,048 bilhão ao Brasil, com 128 mil toneladas exportadas. O produto é o mais relevante da categoria nas vendas aos europeus e representa o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, atrás de China e Estados Unidos. A carne de frango atingiu US$ 762 milhões e 230 mil toneladas. Outros produtos também devem ser impactados, como o mel, que somou US$ 6 milhões em exportações.

Por que o Brasil ficou de fora?

A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos para promover o crescimento ou aumentar o rendimento na pecuária . Antimicrobianos são substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais, mas alguns desses medicamentos também funcionam como promotores de crescimento.

Segundo a porta-voz da Comissão Europeia para a Saúde, Eva Hrncirova, o Brasil poderá deixar “de exportar para a UE mercadorias como bovinos, equinos, aves, ovos, aquicultura, mel e invólucros” .

Países vizinhos seguem na lista

Os demais países do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai — que assinaram o acordo comercial com a UE permaneceram autorizados a exportar seus produtos para o bloco. A lista atualizada incluiu 21 novos países, enquanto outros cinco foram autorizados a exportar mercadorias adicionais .

O que o Brasil precisa fazer para voltar

Para ser reincluído, “o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados” .

“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, afirmou a porta-voz, acrescentando que o bloco vem colaborando com as autoridades brasileiras sobre o tema .

Contexto do acordo Mercosul-UE

A publicação da lista ocorre 12 dias após a assinatura do acordo de livre comércio entre a UE e os países do Mercosul . O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, e aguarda decisão judicial na Europa sobre sua legalidade .

No entanto, segundo especialistas, a medida desta terça-feira não tem relação direta com o acordo comercial, mas sim com uma regulamentação sanitária independente. “Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje demonstra que o sistema europeu de controle funciona”, afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen .

Caminhos para retomada

De acordo com o doutor em direito agroambiental Leonardo Munhoz, os antimicrobianos proibidos incluem virginiamicina, avoparcina, cacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina . Em abril, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria que proíbe a importação, fabricação, comercialização e uso de alguns desses antimicrobianos, mas o país ainda precisa avançar na restrição legal dos demais ou garantir rastreabilidade completa para comprovar que a carne exportada não contém essas substâncias .

Para voltar à lista, a retomada das exportações dependerá da comprovação, pelas autoridades brasileiras, de que as regras europeias estão sendo seguidas .