Itacoatiara é campeão da Série B; FAF ainda não revelou o ‘forte indício de manipulação’
Campeonato da Federação Amazonense de Futebol (FAF) vem perdendo credibilidade por nova suspeita de “venda” de resultados. Em 2023, o Iranduba foi punido pela FAF, mas absolvido pelo STJD que considerou ilegal a punição por falta de apuração minuciosa
Há quase um mês, FAF e Rozenha não falam sobre provas de outro suposto crime de “venda de resultados”
O fim da Série B do Amazonense, competição marcada por suspeita de manipulação de jogo (ou jogos), consagrou, dentro de campo, o Itacoatiara. A equipe venceu nos pênaltis o Operário, por 4 a 2, após empate em 1 a 1, na noite da última segunda-feira, 07/7. A vitória, no estádio Gilbertão, em Manacapuru, também garantiu o campeão na Série A do Barezão.
Embora a competição tenha conhecido o dono do caneco, o torneio de quase dois meses organizado pela Federação Amazonense de Futebol (FAF) novamente caiu em descrédito. A avaliação é feita por torcedores, dirigentes e parte da imprensa que analisa o futebol local com isenção.
A suposta “identificação de fortes indícios de manipulação de resultado”, como diz trecho da Nota da FAF, no confronto entre Sul América e Clipper, não traz detalhes. O comunicado oficial da FAF sobre o suposto ocorrido, no jogo do dia 13 de junho, mostra a ampla falta de transparência.
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FAF e Rozenha calados
Em busca de esclarecimentos plausíveis, possíveis provas e avanços, a reportagem do programa Galera da Bola (Rede Onda Digital e Canal92am) e este articulista tentou quebrar o silêncio daqueles que mandam no futebol local. No próximo domingo, completa um mês desde que o assunto foi exposto – na minha opinião prematuramente – pela Federação.
Por meio de mensagem, a assessoria da FAF foi provocada. No entanto, a resposta veio vazia: “não sei te informar sobre isso não”.
Do mesmo modo, o presidente da FAF e um dos vice-presidentes da CBF, o deputado estadual Ednailson Rozenha (Partido da Mulher Brasileira), também não respondeu a mensagem enviada.
Assim, até o fechamento desta coluna, não sabemos se há investigação por parte do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) ou Polícia Federal (PF). A própria nota afirma que MP e PF serão acionados.
Para o bem do enfraquecido e desacreditado futebol local, a FAF precisa revelar se existe uma denúncia oferecida aos órgãos de fiscalização, um fato concreto, por meio de provas reais.
Se vai existir uma investigação, é necessário que seja feita por órgãos isentos do futebol local, dos clubes cujos donos são parlamentares e sem ligações políticas com a Federação. Dentro da FAF, o seu presidente possui uma cadeira na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), igualmente a diretora de futebol feminino da entidade, a deputada Alessandra Campelo (Podemos). Ambos são da base governista do governador Wilson Lima (UB).

A história pode se repetir?
STJD vê ilegalidade em punição da FAF ao Iranduba
A falta de transparência em detalhar ou explicar o real motivo para a suposta identificação de um grave crime no futebol local – se realmente ocorreu – acende uma luz de alerta: a acusação, punição e absolvição do caso de manipulação de resultado dos atletas do Iranduba Esporte Clube.
Em 2023, a FAF, por meio do presidente Rozenha, puniu administrativamente, o clube Iranduba da Amazônia com suspensão de 2 anos, 5 meses e 20 dias e multa de R$ 100 mil, aplicada pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-AM). O fato foi motivado por suspeita de manipulação de resultados em partidas da Série A local. Consequentemente, o Iranduba foi rebaixado.
No mesmo ano, a punição administrativa veio a ser considerada ilegal pela maior instância da Justiça Desportiva: o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
Na época, a reportagem do Globoesporte.com publicou a decisão do STJD que considerou ilegal o ato da presidência (da FAF) por “falta de apuração minuciosa dos fatos, com a devida produção de provas e respeito aos princípios do devido processo legal desportivo”.
No julgamento no final do ano de 2023, o mesmo STJD absolveu o clube e todos os jogadores envolvidos. A falta de provas foi o motivo da absolvição. (Leia mais clicando aqui)
Desmoralizada, A FAF acatou o pedido de retorno do Iranduba à Série A, mas por falta de dinheiro e patrocinadores mediante a falta de credibilidade, após o caso ser veiculado em todo o Brasil, o presidente do clube desistiu de participar da competição.
Agora, resta aguardar que a FAF mostre as evidências e provas reais, caso exista, nesse novo suposto e grave esquema de manipulação de jogos do futebol amazonense apontado pela própria entidade.
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Sobre o autor
Anderson S. Silva é jornalista, radialista, especialista em marketing político e bacharelando em direito. Estrategista político com expertise em desenvolvimento de projetos sociais, esportivos e institucionais. Com 23 anos de experiência em comunicação, atuou em emissoras de rádio e TV, jornais, portais de notícias do Amazonas. Também foi coordenador assessorias de comunicação política, esportiva e institucional.


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