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Brasil

Servidor da PF é preso após abordar amigos com arma: “Vocês são um casal?”

Suspeito apontou pistola 9mm para uma das vítimas e proferiu ofensas homofóbicas em barraca de espetos. Após audiência de custódia, foi liberado, mas teve posse de arma suspensa.

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(Reprodução)

Um agente administrativo da Polícia Federal (PF) foi preso em flagrante na noite de sexta-feira (13) após ameaçar dois homens com uma arma de fogo em uma barraca de espetos em Samambaia (DF) , motivado por supor que formavam um casal homossexual. O caso, registrado por câmeras de segurança, ganhou repercussão nacional e é tratado como injúria racial pela Justiça .

Abordagem e ameaça

De acordo com o relato das vítimas, que preferiram não se identificar, os dois colegas de trabalho estavam no local quando foram abordados por Diego de Abreu Souza Borges, que consumia bebida alcoólica. Ele teria questionado: “Vocês são um casal? ” .

Uma das vítimas contou que tentou encerrar o assunto de forma descontraída, afirmando que não eram um casal e brincando para evitar conflito. Ainda assim, o suspeito teria continuado com provocações, incluindo uma pergunta ofensiva relacionada à orientação sexual: “Como é para você ter um filho gay? ” .

Ameaça registrada por câmeras

Imagens de segurança mostram o momento em que o homem retorna ao local armado com uma pistola. De acordo com o depoimento, ele teria apontado a arma e ordenado que uma das vítimas virasse de costas e colocasse as mãos na cabeça .

A vítima afirmou que começou a gritar por socorro e pediu que chamassem a polícia. Conforme o relato, o suspeito teria respondido que também era policial, enquanto mantinha a arma apontada e proferia ofensas. “Do nada ele se levantou por trás de mim e apontou uma arma para mim. Eu comecei a gritar para que alguém chamasse a polícia e ele dizia: ‘Pode chamar, pois eu sou a polícia!'”, relatou .

Intervenção da PM e condução à delegacia

Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada e realizou a abordagem no local. Segundo a corporação, o agente portava uma pistola calibre 9 mm com 13 munições intactas. Apesar de possuir porte regular, os policiais avaliaram que a conduta justificava a condução à delegacia .

As partes foram encaminhadas à 26ª Delegacia de Polícia. O servidor foi autuado em flagrante por injúria racial. A arma foi apreendida para as providências legais .

As vítimas também formalizaram representação por injúria e ameaça. “A polícia foi muito rápida. Eu poderia estar morto neste momento, morrer por nada, pois não houve briga nem discussão. Eu nunca antes tinha visto esse cidadão na minha frente”, desabafou uma das vítimas .

Audiência de custódia e decisão judicial

No domingo (15), o investigado passou por audiência de custódia e foi liberado. A Justiça determinou a suspensão da posse de arma .

“Nunca pensei que eu passaria por uma situação dessas, um crime de injúria racial e ainda mais cometido por um agente administrativo da Polícia Federal”, afirmou a vítima .

Enquadramento legal

O crime de homofobia é enquadrado como injúria racial (e racismo) por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) , que equiparou a discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero à Lei do Racismo (Lei 7.716/89) .

O caso segue sob investigação. O Metrópoles acionou a PF e a defesa de Diego, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem .