Brasil
Sargento da PM é preso por feminicídio após agredir e executar esposa com tiro na cabeça
Vítima, Shayene Araújo, de 27 anos, tinha um filho de 7 meses com o acusado. Câmeras registraram histórico de violência doméstica, incluindo agressões e ameaças com arma de fogo.
Reprodução
Shayene Araújo Alves dos Santos, de 27 anos, foi executada com um tiro na nuca dentro de sua própria casa, na terça-feira (16). O principal suspeito é o seu marido, o sargento da Polícia Militar Renato Cesar Guimarães Pina, de 30 anos, que foi preso na quarta-feira (17).
De acordo com a Polícia Civil, as câmeras de segurança do residência registraram o momento do crime. Após o disparo, o sargento, em vez de acionar o socorro, colocou a esposa ferida no carro de vizinhos e a levou ao Hospital Municipal Dr. Ernesto Che Guevara. Shayene deu entrada em estado gravíssimo e, pouco depois, sofreu uma parada cardíaca. A equipe médica tentou reanimá-la, mas ela não resistiu.
O caso foi imediatamente notificado à polícia no hospital. Militares da própria corporação do suspeito estiveram no local e o encaminharam, junto com a arma do crime, à 82ª DP (Delegacia de Polícia). O sargento foi autuado em flagrante e a prisão foi convertida em preventiva.
Histórico de violência doméstica
A investigação, agora sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), rapidamente descobriu que o assassinato foi o ápice de uma longa história de violência. Imagens de câmeras de segurança de episódios anteriores mostram o policial militar agredindo fisicamente Shayene e, em momentos de extrema crueldade, apontando uma arma para a cabeça dela.
O casal mantinha um relacionamento conturbado há três anos. De acordo com depoimentos da família da vítima à polícia, o sargento constantemente a ameaçava. Eles tinham um filho em comum, um bebê de apenas 7 meses. Shayene também era mãe de um menino de 9 anos, de um relacionamento anterior, que vivia com o casal. As crianças agora estão sob os cuidados de familiares.
Motivação e Investigação
A motivação exata do crime ainda é investigada, mas a delegada titular da DHNSG, Dr.ª Claudia Moyses, afirmou que as provas são robustas. “Temos as imagens do crime fatal e também das agressões anteriores, que caracterizam um claro histórico de violência doméstica. Estamos trabalhando para consolidar o inquérito e oferecer a denúncia por feminicídio qualificado em breve”, disse a delegada.
A Polícia Militar emitiu uma nota informando que o sargento foi preso e está à disposição da Justiça, e que o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) foi acionado para fazer a perícia no local do crime. A corporação afirmou que “repudia veementemente qualquer ato de violência” e que o militar responderá ao Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
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