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Caso Henry Borel: Psiquiatra diz que Jairinho é perverso e tem “prazer em torturar crianças”

Especialista contratado pelo pai da vítima analisou comportamento do ex-vereador e afirmou que ele tem perfil sádico e público-alvo definido: crianças pequenas. Defesa repudiou e classificou testemunho como “absurdo”.

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Tomaz Silva/Agência Brasi

O terceiro dia do julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, foi marcado por um depoimento devastador. O médico psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, contratado pelo pai da vítima, Leniel Borel, afirmou nesta quarta-feira (27) que o ex-parlamentar tem um “padrão de perversidade” e sente prazer em provocar sofrimento em crianças pequenas.

“Consegui perceber padrão de abuso infantil. Tem padrão de perversidade em infligir dor em crianças”, disse o médico, que é graduado pela Universidade de São Paulo (USP) e tem doutorado pela Santa Casa de São Paulo.

Sem contato direto, mas com evidências

Para traçar o perfil psicológico, Bernardon não teve contato direto com os réus. Ele analisou depoimentos, entrevistas concedidas por eles e conversou com pessoas que conviveram com o casal. O psiquiatra informou que entrevistou duas mulheres que tiveram relacionamentos com Jairinho e os filhos delas.

Uma delas, Natasha de Oliveira Machado, era amante do ex-vereador e era manipulada com a promessa de casamento. A filha dela, na época com pouco mais de 3 anos, contou que teve o braço torcido por Jairinho e foi orientada a dizer que havia se machucado em uma aula de jiu-jitsu. Em outra ocasião, teria sofrido uma sessão de afundamento em uma piscina.

Outro caso foi do filho de Débora Mello Saraiva, que sofreu fratura no fêmur, além de episódios de pisoteio e de ter a cabeça encoberta. Débora teria sido dopada durante um dos episódios de agressão.

“Padrão de repetição que leva a traçar esse perfil de que a pessoa tem prazer em provocar a dor, tortura, e tem público-alvo crianças pequenas”, constatou o psiquiatra.

Em parecer anexado ao processo, Bernardon afirmou que Jairinho apresenta “características de uma personalidade narcisista, perversa e sádica”.

Defesa repudia e juíza nega impugnação

O advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, criticou o testemunho e distribuiu comunicado à imprensa. “É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas”, escreveu. “Trata-se de uma pessoa que não presenciou, não entrevistou e apenas foi contratada pela acusação para expor suas impressões pessoais”.

A defesa de Monique também pediu a impugnação do testemunho. A juíza Elizabeth Machado Louro, no entanto, negou os pedidos e manteve o depoimento.

Mãe “não teve instinto de preservá-lo”

Sobre Monique Medeiros, o psiquiatra afirmou que ela não apresentou instinto maternal diante dos episódios de agressão. Em fevereiro de 2021, um mês antes da morte, Jairinho se trancou no quarto com Henry, que saiu com dores e mancando. Monique estava no salão de beleza e recebeu mensagens da babá sobre o ocorrido, mas não agiu.

“O instinto de preservação materna é um dos mais fortes dos mamíferos e a Monique não apresentou esse instinto. Débora e Natasha tiveram a percepção de que não era um ambiente saudável para manter os filhos. Ao menos durante um mês, houve sinais para a Monique”, afirmou o psiquiatra.

Julgamento continua

O julgamento de Jairinho e Monique começou na segunda-feira (25) e deve durar cerca de cinco a sete dias. A decisão final caberá a sete jurados. O ex-vereador responde por homicídio qualificado, três torturas contra criança, fraude processual e coação no curso do processo. Monique responde por homicídio por omissão qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual.