Amazonas
Sem merenda há duas semanas, alunos do Ceti Calixto Ribeiro protestam em São Paulo de Olivença
Manifestantes percorreram ruas da cidade com cartazes que criticavam a falta de alimentação escolar: “Estudante não faz fotossíntese, queremos comida”; Seduc não se manifestou
Reprodução
Alunos, professores e moradores se mobilizaram em frente ao Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti) Calixto Ribeiro, na manhã desta sexta-feira (28) para protestar contra a falta de merenda escolar. A revolta tomou as ruas de São Paulo de Olivença, município a 985 quilômetros de Manaus. A ausência de café da manhã e almoço na unidade já dura pelo menos duas semanas.
O protesto, organizado pelo grêmio estudantil, percorreu ruas da cidade com cartazes que estampavam frases como “Estudante não faz fotossíntese, queremos comida”, “Educação e alimentação caminham juntos” e “Fome não combina em sala de aula”. A manifestação reuniu alunos que relatam impactos diretos na rotina pedagógica.
Tempo integral sem permanência
Sem o almoço, os estudantes são forçados a retornar para casa ao meio-dia, o que descaracteriza completamente o modelo de ensino em tempo integral. A situação preocupa especialmente os alunos do 3º ano do ensino médio, que se preparam para provas de ingresso no ensino superior.
Representantes do grêmio estudantil afirmaram que a alimentação é condição básica para a permanência dos alunos. “Estamos procurando nossos direitos de ter uma alimentação digna dentro de uma instituição de tempo integral. Nós não vamos nos calar para governadores que não assumem suas responsabilidades”, disse um dos representantes. Outro estudante classificou a situação como “um ultraje ao direito dos estudantes e da educação”.
Deputado já havia denunciado na Aleam
O deputado estadual Wilker Barreto (PSD) já havia levado o problema à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na terça-feira (25). Ele denunciou que a falta de merenda tem provocado a liberação antecipada dos alunos e afirmou que há recursos disponíveis para a educação. “Não é justo os nossos alunos ficarem sendo dispensados por falta de merenda e não é por falta de recurso, porque tem recurso carimbado para a educação”, afirmou.
O deputado também chamou atenção para a situação da escola na comunidade de Vendaval, onde cerca de 400 alunos enfrentam calor dentro das salas porque aparelhos de ar-condicionado novos estão encaixotados na coordenadoria municipal.
Seduc não se manifestou
A Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) não se manifestou sobre o caso até o momento. A empresa contratada para fornecer a merenda tem contrato com o governo estadual que soma mais de R$ 74 milhões.
O protesto ocorre em um momento em que a campanha eleitoral do governador e candidato à reeleição Roberto Cidade (União Brasil) acaba de estrear na televisão. Para os manifestantes, os estudantes não podem arcar com o preço da falta de organização e de investimentos na infraestrutura educacional. O espaço segue aberto para manifestações oficiais do governo estadual e da Seduc.


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