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Amazonas

Prefeitura de Barcelos compra água vencida para ribeirinhos durante seca no Amazonas

Prefeitura de Barcelos adquiriu garrafões de água mineral fora do prazo de validade para distribuir a comunidades afetadas pela estiagem; ex-prefeito se recusa a prestar esclarecimentos

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Divulgação

Uma investigação do Ministério Público do Amazonas (MPAM) revelou que a Prefeitura de Barcelos, cidade a 399 km de Manaus, comprou garrafões de água mineral de 20 litros com prazo de validade vencido durante a grave estiagem de 2024. Os produtos seriam distribuídos para ribeirinhos que enfrentavam a escassez de água potável.

De acordo com a promotora Taize Moraes Siqueira, responsável pelo caso, a atual administração municipal afirmou não ter recebido nenhum documento da gestão anterior sobre a aquisição – incluindo licitações, notas fiscais ou justificativas para a compra de produtos impróprios para consumo.

O ex-prefeito Edson de Paula Rodrigues Mendes, que comandava o município na época da compra, foi notificado pelo MPAM mas não apresentou nenhum esclarecimento* sobre onde foram gastos os recursos públicos ou por que foram adquiridos garrafões de água vencidos para uma população em situação de vulnerabilidade.

Investigação ampliada

Além de requisitar novamente os documentos ao ex-prefeito – agora com prazo de 10 dias sob risco de medidas judiciais -, o MPAM também acionou o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) para fornecer todas as prestações de contas e relatórios de auditoria do município entre 2023 e 2025.

A estiagem histórica de 2024 no Amazonas deixou centenas de comunidades ribeirinhas sem acesso a água potável, dependendo de doações e ações emergenciais do poder público. Agora, a investigação questiona se recursos públicos foram utilizados para comprar produtos que poderiam colocar em risco a saúde da população.

A promotoria investiga possíveis crimes de improbidade administrativa e irregularidades em licitações. Enquanto isso, moradores de Barcelos aguardam respostas sobre quem será responsabilizado por essa que pode ser uma das mais graves negligências durante a crise hídrica no estado.