Amazonas
Garimpo ilegal destruiu área equivalente a 61 campos de futebol por quase 20 anos no AM
Atividade clandestina de extração de cassiterita devastou área de 44 hectares. MPF pede indenização de mais de R$ 3 milhões.
Divulgação/PF
O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra quatro pessoas envolvidas em operação de extração ilegal de cassiterita no Parque Nacional Mapinguari, localizado no município de Lábrea, no sul do Amazonas. A atividade clandestina, que utilizava maquinário de escala industrial, destruiu cerca de 44 hectares de floresta amazônica nativa — área equivalente a 61 campos de futebol.
Na ação, registrada sob o número 1024297-81.2026.4.01.3200, o MPF pede a condenação dos réus ao pagamento de mais de R$ 2,1milhões pordanos materiais ao patrimônio público e ao meio ambiente, além de 1 milhão como indenização por danos morais coletivos.
Quase duas décadas de destruição
Segundo laudos periciais da Polícia Federal e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a lavra clandestina estava em operação desde 2007 — ou seja, atuou por quase duas décadas dentro de uma das unidades de conservação mais protegidas do país antes de ser alvo de ação judicial.
O garimpo utilizava a técnica de desmonte hidráulico para lavagem do solo, o que resultou na destruição direta de 39,3 hectares de vegetação nativa de floresta ombrófila densa — vegetação típica da Amazônia, sempre verde e de alta biodiversidade. Além do desmatamento, a atividade degradou cerca de 4.800 metros de cursos d’água em áreas de preservação permanente, obstruindo rios e contaminando o ecossistema local.
O que é a cassiterita e por que ela é visada
A cassiterita é o principal minério do estanho, matéria-prima amplamente utilizada pela indústria em ligas metálicas, soldas e placas de circuitos eletrônicos. Sua valorização no mercado industrial torna a extração ilegal economicamente atrativa — e ambientalmente devastadora quando feita sem controle.
Proteção legal e reparação exigida
O Parque Nacional Mapinguari é uma unidade de conservação federal de proteção integral, o que significa que qualquer modalidade de exploração econômica de seus recursos naturais é absolutamente proibida por lei. A gravidade da violação aumenta pelo fato de a atividade ter se estendido por quase 20 anos dentro de uma área com esse nível de proteção legal.
Além das compensações financeiras, o MPF pede que a Justiça determine aos réus a obrigação de apresentar e executar um plano de recuperação das áreas degradadas, com o objetivo de reverter, na medida do possível, os danos causados à floresta e aos rios da região.


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