Política
STJ começa a julgar recursos de Wilson Lima no “caso dos respiradores”
O processo, que tramita no STJ desde 2021, ganhou repercussão nacional pela suspeita de superfaturamento na aquisição dos equipamentos; sessão virtual vai até 8 de setembro
Arte: Canal92am
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) começa a analisar nesta quarta-feira (2) os recursos apresentados pelo ex-governador Wilson Lima (União Brasil) no âmbito da ação penal que investiga a compra de 28 respiradores pelo Governo do Amazonas durante a pandemia de Covid-19. A sessão virtual da Corte Especial está prevista para ocorrer entre os dias 2 e 8 de setembro.
O processo, que tramita no STJ desde 2021, ganhou repercussão nacional pela suspeita de superfaturamento na aquisição dos equipamentos. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), a compra teria provocado prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos. O caso ficou conhecido também pela participação de uma empresa que atuava no comércio de vinhos na negociação.
Recursos não representam julgamento definitivo
Os agravos regimentais que serão analisados pela Corte Especial não correspondem ao julgamento final da ação penal. Um dos recursos é da defesa de Wilson Lima e o outro de Gutemberg Leão Alencar, também réu no processo . A defesa do ex-governador esclareceu que os recursos discutem questões relacionadas ao rito da ação e à mudança de relatoria do caso.
A ministra Nancy Andrighi assumiu a relatoria do processo em junho deste ano, após o ministro Francisco Falcão deixar a condução do caso por razões de foro íntimo . Foi ela quem incluiu os agravos na pauta da Corte Especial.
Wilson nega irregularidades e classifica versão como “fake news”
Em vídeo publicado nas redes sociais no último dia 18, Wilson Lima afirmou que a expressão “respiradores comprados em loja de vinhos” foi transformada em uma narrativa eleitoral simplificada. Segundo sua versão, a empresa que comercializava vinhos pertencia ao mesmo proprietário que estava regularmente apto a vender os equipamentos hospitalares.
O ex-governador também reconheceu que cometeu um “erro político e de comunicação” ao não reagir com mais intensidade quando a polêmica surgiu, em 2020 . Ele sustentou que a aquisição dos respiradores ocorreu em um período de escassez mundial de equipamentos hospitalares provocada pela pandemia.
Momento político delicado
A retomada do caso ocorre em plena campanha eleitoral, quando Wilson Lima disputa uma vaga ao Senado. A coincidência de datas levanta questionamentos políticos, especialmente porque na véspera do julgamento ele faltou a uma entrevista ao vivo na Rede Amazônica.
O processo também pode gerar desgaste para o governador Roberto Cidade (União Brasil), principal aliado político do ex-governador. Ambos integram o mesmo projeto político e dividem palanque na campanha de 2026. Qualquer avanço judicial no caso dos respiradores pode contaminar a imagem de todo o grupo.
Segundo a acusação do MPF, os crimes teriam envolvido dispensa irregular de licitação, fraude em procedimento licitatório, peculato e organização criminosa. O ex-governador nega todas as irregularidades. As acusações ainda são objeto de julgamento e não representam condenação definitiva dos réus.


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