Manaus
Hospital Santa Júlia teria cadastrado médica Juliana Brasil como pediatra sem especialização formal, aponta investigação
Delegado Marcelo Martins revela que hospital registrou profissional no sistema do Ministério da Saúde como pediatra, embora ela não tivesse título oficial; caso integra investigação sobre morte de menino de 6 anos
Reprodução
O Hospital Santa Júlia teria registrado irregularmente a médica Juliana Brasil como pediatra no sistema do Ministério da Saúde, mesmo sem que a profissional possuísse especialização formal devidamente cadastrada na área. A revelação foi feita nesta segunda-feira (15) pelo delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), durante as investigações sobre a morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida em 23 de novembro durante atendimento na unidade hospitalar de Manaus.
De acordo com o delegado, a informação foi obtida por meio de consultas a bases públicas vinculadas ao Ministério da Saúde. Martins destacou que o registro como pediatra não se tratava de uma autodeclaração da profissional, mas sim de um dado inserido diretamente pelo hospital no sistema oficial.
Cadastro irregular
“Nós constatamos, através de consultas a fonte aberta do Ministério da Saúde, que a médica Juliana Brasil foi cadastrada perante o Ministério da Saúde como médica pediatra. Ou seja, não é ela que faz essa declaração, é o próprio hospital”, afirmou o delegado durante coletiva de imprensa.
Erro na administração de adrenalina
Juliana Brasil é investigada por prescrever uma dose de adrenalina aplicada por via intravenosa que, conforme as apurações, teria sido administrada em quantidade superior à recomendada para o quadro clínico do menino Benício. A superdosagem é apontada como fator determinante para o agravamento do estado da criança, que não resistiu e morreu horas depois.
Ampliação das investigações
A investigação agora busca esclarecer se houve irregularidade administrativa no cadastro da profissional, além de possíveis falhas nos protocolos médicos e institucionais adotados durante o atendimento. O inquérito apura responsabilidades individuais e da unidade hospitalar, incluindo a verificação de documentos, registros e procedimentos realizados no momento do atendimento.
Contexto do caso
O caso ganhou maior complexidade com esta nova revelação, que sugere falhas sistêmicas no Hospital Santa Júlia. Anteriormente, a Polícia Civil já havia solicitado a prisão de Juliana Brasil e da técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, que aplicou a medicação fatal. As investigações também apuram se a equipe de enfermagem escondeu a prescrição original por medo de que fosse alterada após a morte da criança.
O inquérito continua com coleta de depoimentos, análise de prontuários médicos e cruzamento de informações junto aos órgãos competentes, visando esclarecer completamente as circunstâncias da morte e a eventual responsabilização dos envolvidos.


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