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Polícia

Caso Benício: Justiça concede liberdade a médica investigada por morte de menino de 6 anos com overdose de adrenalina em Manaus

Caso é investigado como homicídio doloso qualificado pela crueldade; testemunhas relatam que médica demorou a prestar socorro após criança passar mal

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Reprodução

A médica investigada pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, após receber uma dosagem incorreta de adrenalina intravenosa em um hospital de Manaus, responderá às investigações em liberdade. A decisão foi tomada pela Justiça por meio da concessão de um habeas corpus preventivo, enquanto o caso é apurado como homicídio doloso qualificado.

O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que testemunhas relataram que a médica teria demorado a prestar socorro à criança.

“A médica foi acionada pela técnica de enfermagem logo que a criança começou a passar mal, mas não demonstrou urgência em prestar socorro. Esse comportamento evidencia desprezo pela vida da vítima”, disse o delegado.

Detalhes do atendimento fatal

Benício foi levado ao hospital, no sábado (23), com tosse seca e suspeita de laringite. Segundo relato do pai, Bruno Freitas, a médica prescreveu três doses de adrenalina intravenosa – 3 ml a cada 30 minutos. A família questionou a técnica de enfermagem ao ver a prescrição, já que o menino só havia recebido adrenalina por nebulização anteriormente.

“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.

Logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita. Sua oxigenação caiu para 75%, e ele foi transferido para a UTI, onde precisou ser intubado. Durante o procedimento, sofreu as primeiras de seis paradas cardíacas e morreu na madrugada de domingo (24), às 2h55.

Versões contraditórias

A defesa da médica nega as acusações e afirma que ela agiu imediatamente, solicitando inclusive um antídoto para tentar reverter o quadro. No entanto, médicos ouvidos no inquérito afirmaram que não existe medicação capaz de neutralizar uma overdose de adrenalina, restando apenas medidas de suporte clínico.

O Hospital Santa Júlia informou, em nota, que afastou a médica e a técnica de enfermagem envolvidas e abriu investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente. O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) também instaurou procedimento para apurar o caso.

O pai do menino manifestou o desejo de que o caso sirva para evitar outras tragédias: “Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça”.