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Política

Vorcaro chamava pagamento a escritório de esposa de Moraes de ‘mais importante’ e mandava pagar ‘sem nota’, revela PF

Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro mostram que contrato de R$ 131 milhões era prioridade e que ele orientava funcionários a não usar Pix para transferências

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Reprodução

Um relatório da Polícia Federal com sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expôs mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que revelam sua preocupação em manter em dia os pagamentos ao escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Em diálogos extraídos do celular de Vorcaro, o banqueiro afirmava que o contrato com o escritório Barci de Moraes era o “mais importante” que o empresário tinha. “O careca não pode atrasar”, chegou a dizer, referindo-se a Moraes, em conversa com o ex-ministro Fábio Faria.

O contrato, no valor total de R$ 131 milhões, previa pagamentos mensais de aproximadamente 3,6 milhões entre 2024 e 2027. Documentos enviados à CPI do Crime Organizado apontam que o escritório de Viviane recebeu R$ 80,2 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025.

‘Pode pagar sempre, sem nota’

Em uma das conversas, Vorcaro demonstrou irritação ao saber do atraso em uma parcela: “PQP. Não pagaram Barci de Moraes. Não tô entendendo isso. Contrato mais importante que temos. Te pedi para não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”.

Na sequência, ordenou a uma funcionária que o pagamento não poderia “atrasar um dia” e orientou: “Pode pagar sempre, sem nota”. Em outro dia, ao pagar mais uma parcela, Vorcaro instruiu que os valores não fossem transferidos por Pix. “Não é bom”, afirmou.

O pagamento de R$ 3,4 milhões ao escritório de Viviane ocorreu apenas 15 minutos após uma cobrança feita por Fábio Faria, que alertou Vorcaro: “O careca não pode atrasar”.

Cronologia da contratação

As investigações da PF mostram que a relação entre Vorcaro e Moraes começou a ser costurada ainda em dezembro de 2023, com encontros mediados por Fábio Faria . Em 21 de dezembro, Vorcaro foi à casa de Moraes em São Paulo. Cinco dias depois, os dois se encontraram novamente e Faria compartilhou com o banqueiro o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

Em 11 de janeiro de 2024, Viviane enviou a minuta do contrato a Vorcaro . Metadados do documento revelaram que a versão foi aberta e editada no sistema Office 365 utilizado por Moraes, em um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes . A edição ocorreu às 23h04 de 15 de janeiro, cerca de uma hora e 40 minutos após Vorcaro devolver o documento com alterações.

Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que “o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação” . A banca disse que Moraes “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.

O ministro André Mendonça deu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o documento da PF . As investigações seguem em andamento.

*Com informações de Folha e CNN