Política
Roberto Cidade suspende contratos do governo com empresas da própria família durante gestão interina no AM
Governador interino do Amazonas determinou cancelamento imediato de serviços prestados por duas empresas ligadas a seus familiares.
Divulgação
O governador interino do Amazonas, Roberto Cidade, determinou a suspensão imediata e o cancelamento de todos os contratos firmados entre o Governo do Estado e empresas vinculadas à sua família enquanto estiver à frente do Executivo estadual. A decisão foi anunciada por meio de nota oficial do Governo do Amazonas nesta terça-feira (7).
De acordo com o comunicado, a medida alcança os contratos mantidos com as empresas RR Serviços de Transportes e Navegação e Navegação Cidade LTDA. O governo informou ainda que Roberto Cidade determinou à Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e à Procuradoria Geral do Estado (PGE) que adotem providências conjuntas com o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) para formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
O que muda na prática
O objetivo do TAC, segundo a nota, é viabilizar a suspensão dos serviços prestados pelas empresas atualmente contratadas e, ao mesmo tempo, permitir a contratação de novas empresas — garantindo a continuidade dos serviços públicos à população sem interrupções, especialmente nas áreas atendidas pelos contratos em vigor.
O governo fez questão de ressaltar que Roberto Cidade não integra o quadro societário das empresas mencionadas, ou seja, não possui participação formal nas sociedades empresariais. A nota enquadra a decisão como um gesto de transparência e responsabilidade administrativa durante o período de interinidade.
O contexto político
A medida ocorre em um momento politicamente sensível para o Amazonas. Roberto Cidade assumiu o Executivo estadual após as renúncias em cascata do ex-governador Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza. O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) passou a responder interinamente pelo cargo e deve permanecer à frente do Estado até a realização da eleição indireta pela própria ALE-AM para definir o novo governador.
Nesse cenário, a existência de contratos entre o Estado e empresas ligadas à família do governador interino havia se tornado um ponto de vulnerabilidade política. A decisão de cancelar os contratos de forma proativa busca blindar a gestão de questionamentos sobre conflito de interesses — mas também expõe que tais contratos existiam e que só foram suspensos após Roberto Cidade assumir o cargo.


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