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Política

Renan Santos promete cortar incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus se eleito: “A começar pela ZFM”

Candidato do Missão afirma que pretende cortar R$ 250 bilhões em despesas e coloca incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus entre os primeiros alvos; proposta gera reação no Amazonas e contraria dados de estudo da FGV

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Arte: Canal92am

O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, voltou a colocar a Zona Franca de Manaus (ZFM) no centro de suas propostas econômicas. Em entrevista à CNN Eleições, exibida em 3 de setembro, ele afirmou que pretende revisar os incentivos fiscais federais e disse que o modelo amazonense estará entre os primeiros setores atingidos caso chegue ao Palácio do Planalto.

“As federais, o governo vai precisar mexer, a começar pela Zona Franca de Manaus”, declarou o candidato.

A fala não é isolada. Em agosto, durante sabatina promovida pelo grupo G4 e pelo site O Antagonista, Renan Santos já havia defendido uma revisão ampla dos incentivos fiscais e citado a Honda e a ZFM como exemplos do que considera benefícios que precisam ser revistos. Na ocasião, ele afirmou que “só a Honda tem R$ 16 bilhões em renúncia fiscal por ano”.

Crítica à localização da indústria

Na entrevista à CNN, o candidato foi além da discussão sobre impostos e questionou a própria localização da indústria de motocicletas em Manaus. Ele defendeu que as fábricas sejam instaladas mais perto dos grandes mercados consumidores.

“Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante”, afirmou.

O candidato também declarou que pretende cortar R$ 250 bilhões em despesas do governo federal e que parte da economia viria da revisão de renúncias fiscais.

Números contestados

A afirmação sobre os R$ 16 bilhões em renúncia fiscal atribuídos aˋ Honda não encontra respaldo em levantamentos técnicos. Estudo elaborado pelo economista Márcio Holland, professor da FGVEESP, concluiu que o Amazonas devolve á União  1,74 em arrecadação federal para cada R$ 1 correspondente a gasto tributário federal no Estado.

Quando são consideradas as contrapartidas obrigatórias das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus — que somam aproximadamente R$ 6 bilhões por ano —, essa relação sobe para  2,24 para cada R$ 1 em benefício tributário. Entre as contrapartidas estão recursos para fundos de fomento, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

A importância da Zona Franca de Manaus

O Polo Industrial de Manaus (PIM) responde por aproximadamente 31% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas. O modelo concentra mais de 500 indústrias e gerou cerca de 130 mil empregos diretos e 400 mil indiretos até julho de 2025. Em 2024, o faturamento do polo alcançou US$ 37,5 bilhões, um crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior.

Entre 2019 e 2024, o Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam) aprovou mais de 1,4 mil projetos industriais, que preveem R$ 57,9 bilhões em investimentos e 47,3 mil novos postos de trabalho.

Reação no Amazonas

A proposta de Renan Santos gerou reação imediata no cenário político amazonense. O governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União Brasil), tem defendido a manutenção dos incentivos fiscais como instrumento de atração de empresas e geração de empregos. O candidato ao Governo David Almeida (Avante) assumiu o compromisso de ampliar os mais de 130 mil empregos do PIM e fortalecer a competitividade da ZFM. Maria do Carmo (PL) propõe a interiorização do modelo.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que visitou Manaus na última sexta-feira (11), seguiu caminho oposto ao de Renan. Em evento na Ponta Negra, ele prometeu atrair data centers e empreendimentos de tecnologia para a Zona Franca.

“A Zona Franca de Manaus é muito pouco; a Zona Franca agora é do Brasil, 100% orgulho nacional. E nós vamos melhorar ainda mais a Zona Franca de Manaus”, afirmou Flávio.

Investimento recente

A crítica de Renan à indústria de motocicletas ocorre pouco depois de a Honda anunciar R$ 1,6 bilhão em investimentos nas operações de motocicletas no Brasil até 2029. O plano prevê aumento da capacidade produtiva da fábrica de Manaus para 1,6 milhão de unidades por ano e a abertura de 350 novos postos de trabalho.

A operação da Honda é uma das maiores estruturas industriais do Polo Industrial de Manaus. Em novembro de 2026, a empresa celebra 50 anos de produção de motocicletas no Brasil. Fundada em 1976, a fábrica de Manaus é atualmente a unidade mais verticalizada do grupo Honda no mundo.