Política
Lula chama Flávio Bolsonaro de “Milei brasileiro” e promete intervenção federal na segurança pública
Em discurso na Avenida Paulista, presidente afirmou que adversário fará “tesouraço” contra os pobres, defendeu a PEC da Segurança Pública e cobrou votação do fim da escala 6×1 no Senado
Reprodução
O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), subiu o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante discurso na Avenida Paulista neste domingo (11). Em um ato que reuniu lideranças políticas, artistas e militância, Lula comparou o adversário ao presidente argentino Javier Milei e afirmou que o “tesouraço” de R$ 250 bilhões prometido pelo senador vai atingir os mais pobres.
“Eu vou continuar questionando o meu adversário qual é o tesouraço que ele vai fazer, porque o tesouraço deles possivelmente é o mesmo tesouraço do Milei na Argentina”, declarou.
Segurança pública: “Para o bandido, prisão”
Um dos eixos centrais do discurso foi a segurança pública. Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, que autoriza a participação direta da União na área, e apresentou o lema que tem repetido nos últimos dias:
“Para o povo trabalhador, para a comunidade, para o território, proteção. Para os bandidos, prisão, porque o governo vai fazer uma intervenção na Segurança Pública, coisa que a Constituição não permite até agora.”
O presidente afirmou que a proposta definirá o papel do Estado e do município na segurança, para “não permitir que o crime organizado tome conta do território”. A PEC tramita no Senado e é uma das principais bandeiras da campanha petista, tema em que a direita costuma ter melhor desempenho junto ao eleitorado.
“Tesouraço” contra os pobres
Lula também direcionou críticas à proposta de ajuste fiscal da campanha de Flávio Bolsonaro, que estuda cortar cerca de 2% do PIB em despesas obrigatórias — o equivalente a quase R$ 250 bilhões — nas áreas de Previdência, saúde e educação.
“O tesouraço deles possivelmente é o mesmo tesouraço do Milei na Argentina. Ou seja, cortar direito do povo pobre, cortar direito do aposentado, levar o povo outra vez na situação de miséria nesse país”, afirmou.
Em vídeo divulgado na última quinta-feira (8), o presidente já havia listado os programas que, segundo ele, seriam afetados: Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, merenda escolar e Gás do Povo, além do reajuste do salário mínimo.
Fim da escala 6×1: “Agora é a hora da verdade”
O presidente também cobrou a votação do fim da escala 6×1, agendada para a próxima quarta-feira (14) no Senado. Lula desafiou a oposição a se posicionar.
“O PL tem que dizer se é a favor de os trabalhadores descansarem mais ou se quer que continuem trabalhando mais. O que eles não podem é tentar protelar para enganar o povo depois das eleições. É agora. Agora é a hora da verdade.”
A proposta é uma das prioridades da campanha petista para o segundo turno e foi um dos temas mais destacados no ato deste domingo.
Críticas ao TSE e defesa da democracia
Lula também criticou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que derrubou o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O presidente disse que ingressará com um pedido de explicações junto à Justiça Eleitoral.
“Venho percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado e republicano.”
O ato na Paulista
A “Marcha pela Democracia” começou por volta das 11h em frente ao MASP e seguiu até a Praça Roosevelt. Segundo os organizadores, o público ultrapassou um milhão de pessoas. Lula chegou ao local por volta do meio-dia, acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), e das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
Também marcaram presença governadores eleitos como Jerônimo Rodrigues (PT-BA), Rafael Fonteles (PT-PI) e Elmano de Freitas (PT-CE), além de artistas como Humberto Carrão e Baco Exu do Blues. O ato foi divulgado nas redes como “Fandoms na Rua”, em uma estratégia da campanha para atrair o eleitorado jovem.
Pesquisas apontam desvantagem
A mobilização ocorre em um momento em que as pesquisas indicam vantagem de Flávio Bolsonaro. O primeiro levantamento Datafolha do segundo turno mostrou o senador com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg também registrou Flávio à frente, com 52,8% contra 47,2%.


Faça um comentário