Política
Flávio Bolsonaro acusa Dino de interferência política após operação da PF contra financiamento de “Dark Horse”: “Não tem nada de errado”
Candidato à Presidência afirmou que filme não usou dinheiro público e classificou ação como perseguição; PF investiga desvio de emendas parlamentares e movimentação de R$ 61 milhões pagos por Daniel Vorcaro
Reprodução
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de “tentativa de interferência política” nas eleições ao autorizar a operação da Polícia Federal que investiga o suposto desvio de recursos de emendas parlamentares para o financiamento do filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) .
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público, já cansei de falar. Pode revirar do avesso, de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro, que não tem nada. O que tem, claramente, é uma tentativa de interferência na política, mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições. Qual o fundamento dessa operação? Político”, declarou Flávio durante evento em Boa Vista, Roraima.
O senador afirmou que está “tranquilo” em relação ao financiamento do longa e voltou a falar em perseguição política por parte dos ministros do STF e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Lula já abandonou a campanha política, agora ele está contando com os seus amigos do Supremo para tentar levar no tapetão”, afirmou.
A operação
A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (10) e cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Não há mandados de prisão. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, e a produtora Karina Gama, dona da Go Up Entertainment Ltda .
As ordens judiciais foram expedidas por Dino um dia após o magistrado ter derrubado a decisão do colega André Mendonça sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O argumento de Dino é de que as investigações do caso Dark Horse, entre outras, seriam prejudicadas com a ordem de Mendonça. Após a operação, o ministro quebrou o sigilo da ação que envolve o filme .
O que a PF investiga
A investigação apura possíveis crimes envolvendo desvio de recursos públicos federais, fraude em procedimentos de contratação, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foram identificadas movimentações financeiras de centenas de milhões de reais e tentativas de ocultação dos desvios que perduraram até julho deste ano .
“Os elementos já produzidos revelam a existência de sofisticada estrutura financeira e operacional destinada à circulação de recursos entre entidades, empresas e pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado, havendo, inclusive, notícias da utilização de empresas sediadas no exterior, como é o caso da Go Up Entertainment LLC”, diz trecho do documento.
O financiamento do filme
Em maio, o Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o longa-metragem. De acordo com a apuração, Vorcaro pagou cerca de R$ 61 milhões no ano passado para a produção do filme .
O filme “Dark Horse”, produzido por Karina Gama, tem o ator norte-americano Jim Caviezel no papel principal . A produção narra a trajetória política de Jair Bolsonaro e foi financiada, segundo a investigação, por meio de um esquema que envolveria desvio de emendas parlamentares.
Próximos passos
A Polícia Federal segue com as investigações para apurar a origem dos recursos, a participação de cada envolvido e a eventual existência de outras fontes de financiamento. O caso tramita sob sigilo no STF. Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre a quebra de sigilo da ação. A defesa dos investigados também não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.


Faça um comentário