Conecte-se conosco

Política

Embaixador já está em Brasília e pode se reunir com Lula após ofensas de Milei em convenção do PL

Julio Bitelli desembarcou na capital nesta segunda-feira (27) e deve se encontrar com Mauro Vieira até quarta (29); governo brasileiro aguarda explicações e não descarta encontro com o presidente

lula-milei-e-flavio-crise-canal92am

Montagem/Canal92am/imagens Reprodução

O embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, já está em Brasília. Convocado para consultas pelo Ministério das Relações Exteriores, ele desembarcou na capital na manhã desta segunda-feira (27) e deve se reunir com o chanceler Mauro Vieira, que está pessoalmente à frente das tratativas. A convocação é um gesto diplomático de protesto, uma sinalização clara de que o governo brasileiro quer ouvir esclarecimentos de seu representante sobre uma atitude considerada hostil da outra nação. A permanência de Bitelli em Brasília, por tempo indeterminado, reforça a gravidade do episódio.

A crise foi deflagrada no último sábado (25), durante a convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Convidado de honra, o presidente argentino Javier Milei utilizou o palanque para proferir ataques diretos. Referiu-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “presidiário” e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”.

As falas de Milei foram motivadas pela negativa do ministro Alexandre de Moraes a um pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A ofensa ao chefe de Estado brasileiro e a uma das mais altas autoridades do Judiciário em território nacional foi considerada inaceitável.

Além da convocação de Bitelli, o Itamaraty também chamou, no domingo (26), o embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi. O chanceler Mauro Vieira, que mantém uma relação de cerca de 30 anos com o diplomata argentino, fez questão de recebê-lo pessoalmente para transmitir a “repulsa do Brasil”.

O Ministério das Relações Exteriores classificou o episódio como “sem precedentes” e “lamentável”. Em nota, o Itamaraty afirmou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, destacando ser “especialmente lamentável” que o episódio envolva o presidente de um país com o qual o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação.

O chanceler Mauro Vieira descartou, neste momento, medidas mais drásticas, como a retirada da representação diplomática brasileira da Argentina, mas afirmou que o governo busca explicações: “A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso agora. Nós precisamos de explicações do governo argentino: por que que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis?”.